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Inflação anual longe da meta ainda sustenta juro muito alto

Mesmo se a insegurança internacional diminuir, as preocupações quanto às contas públicas ainda sustentarão as projeções de inflação alta e o risco de crédito muito caro

11 ago 2026 - 16h03
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Ainda desafiadora, a inflação mensal ficou praticamente estável em julho, com alta de apenas 0,07%, enquanto a taxa de 12 meses caiu de 4,64% para 4,44%. A alta anual de preços continuou, portanto, longe do objetivo central, 3%, e quase no teto da política, fixado em 4,5%. Os números são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para enfrentar a inflação persistente e bem acima da meta, o Banco Central (BC) tem mantido juros elevados, procurando conter o crédito, esfriar a atividade e assim frear a elevação dos preços. Mantida em 15% entre julho de 2025 e março deste ano, a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida a partir de abril e no início de agosto chegou a 14%. O último corte, de 0,25 ponto porcentual, começou a valer no dia 5. Descontada a inflação, a taxa básica vigente no Brasil continua uma das mais altas do mundo.

Diante do quadro econômico amplamente incerto, o Comitê de Política Monetária do BC, o Copom, tem mostrado muita cautela ao tratar dos próximos passos. "O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária", declara o comitê na ata da última reunião, publicada nesta terça-feira, 11.

No mercado financeiro, a mediana das projeções aponta uma taxa básica de 13,75% em dezembro, segundo o último boletim Focus. Aposta-se, portanto, em mais uma redução de 0,25 ponto porcentual, embora a inflação esperada, 5,02%, ainda seja superior ao teto da meta. Para o final de 2027 a estimativa é de uma taxa Selic de 12%.

Confirmadas essas expectativas, juros elevados continuarão pressionando as famílias, complicando a atividade empresarial, sobrecarregando as contas do governo e emperrando o investimento produtivo e o crescimento da produção e do emprego. Se a insegurança internacional diminuir, as preocupações quanto às contas públicas nacionais ainda sustentarão, no entanto, as projeções de inflação alta e o risco de crédito muito caro.

Estadão
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