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Impacto da guerra no Irã pode "prejudicar duplamente" consumidores da zona do euro, mostra pesquisa do BCE

29 mai 2026 - 08h17
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Os consumidores da zona ‌do euro, já marcados pela guerra da Ucrânia, mudaram suas atitudes mais rapidamente como resultado da turbulência da guerra no Irã, mostrou uma pesquisa do Banco Central Europeu nesta sexta-feira, o que significa que o impacto ⁠econômico pode ser mais profundo e mais rápido.

A invasão ‌da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 causou uma crise energética e uma inflação da ‌qual a Europa havia se recuperado. ‌Mas, em 28 de fevereiro, os ataques aéreos ⁠israelenses e norte-americanos lançaram uma guerra contra o Irã que levou a uma interrupção sem precedentes no fornecimento de energia.

Os pesquisadores do BCE analisaram se os consumidores da zona do euro se tornaram mais sensíveis ‌ao impacto econômico de tal agitação geopolítica e afirmam ‌que as evidências sugerem ⁠que sim.

Com ⁠base na pesquisa de Expectativas do Consumidor do próprio BCE, ⁠os economistas do banco ‌central descobriram que os ‌consumidores imediatamente aumentaram sua atenção às mudanças de preços quando o conflito no Irã começou, embora a inflação ainda estivesse em torno de 2%, a ⁠meta do BCE.

Quase metade dos entrevistados na pesquisa disse que estava prestando atenção às mudanças de preços em março de 2026, uma proporção semelhante à de janeiro de 2023, ‌quando a inflação da zona do euro de 8,6% tornava a preocupação em teoria muito mais provável.

"Essas evidências ⁠sugerem que os consumidores estão vivenciando a guerra no Irã com uma possível 'cicatriz dupla'", disseram os pesquisadores do BCE em seu blog, o que não reflete necessariamente a opinião oficial do banco.

"Essas duas cicatrizes podem se reforçar mutuamente e provavelmente moldarão as expectativas e o comportamento dos consumidores nos próximos meses, já que os conflitos e o aumento da incerteza macroeconômica persistem."

Os economistas disseram que essas cicatrizes, ou memórias de estresse financeiro, podem aumentar a sensibilidade dos consumidores a novos choques.

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