Ibovespa tem queda modesta com realização de lucros após superar 192 mil pontos
O Ibovespa testou os 192 mil pontos pela primeira vez na sua história nesta quarta-feira, mas perdeu o fôlego e fechou em queda, refletindo realização de lucros, enquanto o desempenho robusto de Vale evitou uma perda mais expressiva em dia também marcado pela repercussão de balanços e pesquisa eleitoral.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,13%, a 191.247,46 pontos, após avançar a 192.623,56 na máxima da sessão nos primeiros negócios, renovando o recorde intradia. Na mínima do dia, chegou a 190.419 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$28,46 bilhões.
O tom mais positivo na abertura encontrou suporte na alta do minério de ferro e do petróleo, bem como dos futuros acionários norte-americanos, mas agentes financeiros também repercutiram pesquisa eleitoral mostrando um maior equilíbrio na disputa presidencial em outubro, além de balanços de empresas.
Para o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, a pesquisa pode ter tido algum efeito na bolsa, mas o principal motivo que assegurou novo recorde do Ibovespa permanece sendo a entrada de fluxo de estrangeiro, na esteira de um movimento global de rotação de ativos.
Dados da B3 mostram entrada líquida de quase R$12,3 bilhões de estrangeiros em fevereiro até o último dia 23, ampliando o saldo acumulado no ano para R$38,6 bilhões.
Em Wall Street, os pregões sustentaram o viés positivo, com o S&P 500 fechando em alta de 0,81%, antes do aguardado balanço da Nvidia.
DESTAQUES
- VALE ON avançou 2,55%, oferecendo um contrapeso relevante, endossada pela alta dos preços do minério de ferro na China, com o contrato futuro mais negociado em Dalian encerrando o pregão diurno com alta de 1,42%. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA foi o destaque positivo, com alta de 3,98%.
- ITAÚ PN caiu 0,79% e BRADESCO PN recuou 1,07%, tendo também no radar dados sobre crédito mostrando que a inadimplência no Brasil atingiu em janeiro o nível mais alto desde 2017. SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 3,94%, em dia também marcado por evento do controlador. Na contramão, BANCO DO BRASIL ON subiu 1,7%.
- WEG ON recuou 2,2%, na esteira do lucro líquido abaixo das expectativas no quarto trimestre de 2025. A receita líquida caiu 5,3%, para R$10,25 bilhões. A companhia, porém, reportou melhora em margens no período.
- PETROBRAS PN encerrou estável, acompanhando o arrefecimento dos ganhos dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou com acréscimo de apenas 0,11%. As ações preferenciais da estatal também vinham de uma sequência de cinco altas, período em que acumulou ganho de 7,5% e renovou máximas.
- GPA ON caiu 2,24%, após reportar prejuízo líquido de R$572 milhões no quarto trimestre, uma perda acima do que previam analistas, em período também marcado por queda na receita líquida. Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo afirmou que o varejista precisa de mudança estrutural. No setor, ASSAÍ ON perdeu 4,39%.
- ISA ENERGIA PN recuou 4,44%, tendo no radar resultado do quarto trimestre do ano passado, com queda de 40,4% no lucro ano a ano, a R$482,7 milhões. Para 2026, o presidente-executivo afirmou que a ISA manterá o foco na entrega dos projetos em carteira, mas deve avaliar oportunidades em leilões de transmissão e de capacidade em baterias.
- MERCADO LIVRE, que é listada em Nova York, desabou 8,05%, após queda de 12,5% no lucro líquido do quarto trimestre, para US$559 milhões, abaixo das projeções de analistas. A receita de US$8,8 bilhões superou estimativas, mas tal avanço teve como custo a compressão de margens, enquanto a empresa também não sinalizou urgência para recuperar essa linha.