Ibovespa fecha abril no zero a zero após se aproximar dos 200 mil pontos
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, em pregão de recuperação, mas terminou abril quase no zero a zero, após uma sequência de quedas que o distanciou da marca inédita de 200 mil pontos que ensaiou atingir em meados do mês.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,39% no dia, a 187.317,64 pontos, mas caiu 1,8% na semana, encurtada pelo feriado do Dia do Trabalho na sexta-feira, e terminou abril com variação negativa de 0,08%.
Na máxima do dia, chegou a 187.920,77 pontos. Na mínima, marcou 184.758,66 pontos. O volume financeiro somou R$28,8 bilhões.
Desde que renovou as máximas históricas em meados do mês, o Ibovespa fechou no azul em apenas um pregão de dez sessões até a véspera, acumulando no período um declínio de 7%. A correção acompanhou a saída de investidores estrangeiros, que vinham sustentando as ações brasileiras. No mês, o saldo ainda está positivo, em R$6,9 bilhões, conforme dados da B3 até o dia 28. Até o dia 15, porém, havia uma entrada líquida de R$14,6 bilhões.
Investidores continuaram monitorando a cena geopolítica nesta sessão, quando o barril de petróleo sob o contrato Brent chegou a superar US$126, máxima desde março de 2022, antes de perder o fôlego e fechar com queda de 3,41%, a US$114,01.
Ainda na quarta-feira, o site de notícias Axios publicou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve receber informações nesta quinta-feira sobre os planos para uma série de novos ataques militares contra o Irã, o que fez o petróleo disparar.
Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que, se Washington renovar a agressão, responderá com "ataques longos e dolorosos" a posições dos EUA, complicando os planos de Washington para uma coalizão internacional para abrir o Estreito de Ormuz.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 1% com agentes também repercutindo números e perspectivas de grandes empresas de tecnologia.
A temporada de resultados de empresas de primeiro trimestre no Brasil também ocupou as atenções, incluindo os números de Suzano e Motiva, divulgados na véspera, assim como a decisão do Banco Central de cortar a taxa Selic na quarta-feira para 14,50% ao ano.
DESTAQUES
• VALE ON fechou em alta de 2,19%, em pregão de correção positiva, após sete quedas seguidas, sendo que apenas na véspera fechou com um tombo de 5,87%, em meio à repercussão do resultado do primeiro trimestre e comentários de executivos da mineradora. A trégua foi apoiada pelo avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou as negociações do dia com elevação de 1,6%.
• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,75%, em dia de ajustes no setor como um todo, após perdas relevantes na quarta-feira. O banco reporta na próxima semana seu balanço do primeiro trimestre. BRADESCO PN, que também divulga resultado na semana que vem, avançou 1,1%. Ainda no setor, BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 2,3% e SANTANDER BRASIL UNIT encerrou com acréscimo de 1,4%.
• PETROBRAS PN subiu apenas 0,25%, em meio ao movimento negativo dos preços do petróleo no exterior. A estatal reporta ainda nesta quinta-feira seu relatório de produção e vendas no primeiro trimestre.
• HAPVIDA ON avançou 5,45%, em dia de assembleia de acionistas para mudar o conselho de administração, que aprovou aumento no número de membros do conselho de administração e os nomes indicados pela gestora Squadra para compor o colegiado.
• BRASKEM PNA subiu 2,35%, um dia após seus acionistas elegerem novos membros para o conselho de administração da petroquímica, com a presidente-executiva da Petrobras, Magda Chambriard, como presidente do colegiado.
• ISA ENERGIA BRASIL PN avançou 2,71%, endossada por relatório de analistas do UBS BB, que elevaram a recomendação das ações para neutra, bem como preço-alvo dos papéis de R$23,50 para R$35.
• SUZANO ON caiu 2,18%, após divulgar um resultado operacional abaixo do esperado pelo mercado no primeiro trimestre, em meio ao impacto da desvalorização do dólar, mas apoiado em parte por aumentos de preços e volumes de venda de celulose. O presidente da companhia disse que a Suzano segue vendo um cenário de demanda sólida para celulose nos próximos meses, mas que diante das instabilidades geopolíticas está adotando uma política de preços menos homogênea entre as regiões.
• MOTIVA valorizou-se 2,96%, com o resultado do primeiro trimestre também em foco, com Ebitda ajustado de R$2,24 bilhões no período, expansão de 9,3% ano a ano. O CFO também afirmou que a companhia foi contatada por investidores interessados em sociedade na plataforma de transporte de passageiros por trilhos, mas que ainda está estudando uma eventual transação.
• MULTIPLAN ON subiu 0,51%, após a operadora de shopping centers e empreendimentos imobiliários reportar lucro líquido de R$316,14 milhões no primeiro trimestre, crescimento de 35% ano a ano.
• MARCOPOLO PN avançou 1,25%, tendo ainda no radar anúncio do governo federal de que implementará uma nova fase do programa Move Brasil, com aporte de R$14,5 bilhões do Tesouro Nacional e outros R$6,7 bilhões do BNDES para viabilizar linhas de crédito para compra de caminhões e ônibus. RANDON PN, que não está no Ibovespa, subiu 2,31%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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