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Ibovespa cai 2,90% com temor de piora da economia global e Previdência

2 out 2019
18h32
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O mercado acionário doméstico azedou nesta quarta-feira (2) em meio ao aumento dos temores de desaceleração mais forte da economia global e às preocupações em torno da tramitação da reforma da Previdência no Senado. Com perdas generalizadas entre setores e queda de 3% a 5% das principais blue chips, como Petrobras, Vale e ações do setor financeiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,90%, aos 101.031,44 pontos. A desvalorização acumulada nos dois primeiros pregões de outubro atingiu 3,55% - praticamente anulando a alta de setembro, de 3,57%.

O tombo do Ibovespa poderia ter sido pior não fosse a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno no Senado com a rejeição de cinco propostas de alterações - os chamados destaques - que poderiam reduzir a potência fiscal em até R$ 283 bilhões. No fim, a economia esperada com a versão aprovada em primeiro turno no Senado ficou em R$ 800,3 bilhões, mais de R$ 100 bilhões menor do que o previsto no texto que saiu da Câmara.

O susto com o processo de votação da proposta em primeiro turno deixou o mercado ressabiado, ao mostrar que questões paralelas - como o caso da distribuição de recursos da cessão onerosa entre Estados - podem influenciar na tramitação da reforma. A previsão inicial era de que a votação ocorresse ainda na primeira quinzena de outubro, mas não se descarta o risco de um atraso.

Boa parte do mau humor que tomou conta do mercado doméstico pela manhã foi atribuído à derrota do governo no Senado. Após aprovarem no fim da noite o texto-base da reforma com folga - 56 votos a favor e 19 contrários - os senadores se voltaram a propostas de alterações. Foi aprovado destaque para retirar as modificações na regra do abono salarial, o que encolheu a economia esperada em R$ 76,4 bilhões.

Sócio-gestor da RJI Gestão & Investimentos, Rafael Weber observa que uma reforma da Previdência com potência fiscal cerca de R$ 800 bilhões ficou dentro das estimativas iniciais dos economistas, que já trabalhavam com uma desidratação da proposta original do governo. "Essa economia menor já estava no preço. A escorregada na votação acabou acendendo um sinal de alerta e trazendo um componente a mais de volatilidade", afirma Weber. "Apesar disso, o que pesou com mais força hoje foi o sentimento de aversão ao risco no exterior, que contaminou o mercado doméstico".

De fato, o dia foi de perdas pesadas das bolsas americanas, em meio a renovadas preocupações com a possibilidade de que os EUA caminhem para uma recessão. O índice das condições empresariais em Nova York caiu de 50,3 em agosto para 42,8 em setembro, o menor nível em 40 meses. Dados do emprego do setor privado nos EUA em setembro até que positivos - geração de 135 mil vagas, ante estimativa de 125 mil -, mas vieram acompanhados de revisão para baixo do resultado de agosto, de 195 mil para 157 mil. Na Europa, pesaram redução de projeções de crescimento para a economia alemã, a principal da zona do euro, e o imbróglio envolvendo a saída do Reino Unido da União Europeia.

Diante do risco de uma desaceleração mais forte da economia global, cresce a expectativa de que China e Estados Unidos, que têm agendada reunião bilateral para 10 de outubro, em Washington, cheguem a um entendimento parcial que interrompa a escalada da guerra comercial. Uma recessão nos Estados Unidos poderia ser fatal para os planos de reeleição do presidente americano, Donald Trump, que já está às voltas com um processo de impeachment. "O mercado ainda está muito preso a essa questão da guerra comercial, porque isso está afetando a economia americana e global. Se a aversão ao risco não ceder lá fora, o Ibovespa vai continuar sem fôlego", afirma um experiente operador de uma corretora local.

Diferentemente dos pregões anteriores, desta vez o volume negociado foi relevante, de R$ 17 bilhões, apesar da ausência de negócios nas bolsas chinesas, por conta de feriado. Entre as blue chips, o maior tombo foi do papel ON da Vale, cujo tombo superou 5%.

Estadão
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