Ibovespa avança mais de 3% após Trump citar conversas produtivas com Irã
O Ibovespa disparou mais de 3% nesta segunda-feira, encostando em 183 mil pontos na máxima, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender ataques à infraestrutura energética iraniana e citar conversas "produtivas" com o Irã.
A semana na bolsa brasileira também começou com noticiário corporativo movimentado, com o holofote voltado para nomes como Embraer, Fleury, CSN, Desktop, entre outros.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,24%, a 181.931,93 pontos, tendo alcançado 182.973,41 na máxima e 176.220,82 na mínima. O volume financeiro no pregão somou R$32,38 bilhões.
Trump afirmou nesta segunda-feira que houve conversas entre EUA e Irã no último dia, nas quais os dois lados chegaram a "importantes pontos de concordância", acrescentando que um acordo para pôr fim à guerra pode ser fechado em breve.
No sábado, ele alertou que as usinas de energia iranianas seriam destruídas se Teerã não abrisse totalmente o Estreito de Ormuz em 48 horas. Mas nesta segunda-feira mandou adiar qualquer ataque militar contra usinas de energia do Irã por cinco dias.
A agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte, informou que não há comunicações diretas ou indiretas com os EUA. Nos mercados, porém, prevaleceu o alívio com a sinalização de Trump nesta sessão.
O petróleo sob o contrato Brent desabou 10,92%, a US$99,94, enquanto o S&P 500, referência do mercado acionário norte-americano, avançou 1,14% e o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA caía a 4,3479%.
De acordo com o analista Nícolas Mérola, da EQI Research, houve uma escalada importante no conflito no Oriente Médio no fim de semana, mas a pressão negativa registrada no começo da segunda-feira se reverteu com o anúncio de Trump.
"Ninguém sabe se isso vai realmente acontecer...mas o mercado comprou essa narrativa (de cessar-fogo de Trump)", afirmou, acrescentando que o cenário externo acabou ditando a direção na bolsa paulista.
DESTAQUES
- VALE ON avançou 2,57%, endossada ainda pela alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian subiu 0,92%.
- ITAÚ UNIBANCO PN subiu 2,96%, com os bancos do Ibovespa como um todo embalados pelo apetite a risco global. BTG PACTUAL UNIT fechou em alta de 4,72%, tendo também no radar retomada das operações via Pix após suspender o serviço no domingo depois de "atividades atípicas". No setor, BRADESCO PN avançou 3,66%, BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 2,97% e SANTANDER BRASIL UNIT apurou elevação de 3,11%. O índice do setor financeiro subiu 3,99%, apoiado ainda por B3 ON, que avançou 6,61%.
- PETROBRAS fechou em alta de 0,79%, revertendo as perdas registradas na primeira etapa do dia, quando em meio ao declínio do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON caiu 2,84%, tendo também sob o holofote anúncio de que o cronograma de poços do campo de Wahoo, no pré-sal da Bacia de Campos, segue conforme previsto para atingir produção de 40 mil barris/dia (bpd) até o final de abril. PETRORECONCAVO ON subiu 2,83% e BRAVA ON avançou 3,61%.
- CSN ON saltou 9,18%, após divulgar no fim de semana que assinou carta-compromisso vinculante com um grupo de bancos para uma nova linha de crédito sindicalizada garantida de até US$1,4 bilhão. A companhia já havia sinalizado mais cedo no mês sobre um financiamento com a operação de cimentos do grupo como garantia. Na visão de analistas, apesar do empréstimo, a venda de ativos pela CSN segue urgente. No setor, USIMINAS PNA subiu 4,6% e GERDAU PN avançou 3,15%.
- EMBRAER ON valorizou-se 6,95%, em meio ao anúncio de que a europeia Finnair renovará sua frota com um pedido de 18 aeronaves de corredor único E195-E2 da fabricante brasileira. A encomenda inclui opções para 16 aeronaves adicionais e direitos de compra para outras 12.
- FLEURY ON avançou 4,36%, após aderir a acordo não vinculante para ingressar como investidor em uma potencial nova empresa em conjunto com Porto Seguro e Oncoclínicas. PORTO SEGURO ON, que também divulgou dados operacionais de janeiro, subiu 3,62%, enquanto ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, disparou 57,05%, a R$2,45.
- DESKTOP ON, que não está no Ibovespa, saltou 23,26%, após a Claro, de propriedade da mexicana América Móvil, fechar acordo para comprar uma participação de 73% na provedora de internet brasileira, em negócio com enterprise value (valor da empresa) de R$4 bilhões.
- CASAS BAHIA ON, que não faz parte do Ibovespa, subiu 3,99%, tendo no radar acordo com a Amazon para vender seus produtos na plataforma da companhia norte-americana no Brasil.