Iberdrola compra fatia da Previ na Neoenergia por R$11,9 bi
A companhia de energia espanhola Iberdrola fechou a compra da participação de 30,29% do fundo de pensão Previ em sua controlada brasileira Neoenergia por R$11,95 bilhões, ou R$32,50 por ação, informou nesta quinta-feira.
Com isso, a Iberdrola aumenta sua participação a 83,8% na Neoenergia, que atua de forma integrada no setor elétrico brasileiro, com negócios nas áreas de distribuição, geração, transmissão e comercialização de energia.
Segundo o acordo, o fechamento da transação está previsto para o quarto trimestre deste ano, estando sujeito a obtenção de autorização pela agência reguladora Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Com a saída da Previ do capital da Neoenergia, o acordo de acionistas entre o fundo de pensão e a Iberdrola será extinto.
O acordo é um novo passo na estratégia de crescimento da Iberdrola baseada no negócio de redes elétricas, no qual possui 1,4 milhão de quilômetros de linhas nos EUA, Reino Unido, Brasil e Espanha, acrescentou a Iberdrola.
Assim como outras utilities, a Iberdrola tem se concentrado em investimentos em redes elétricas, buscando retornos estáveis.
A Neoenergia tem grande presença no segmento de distribuição de energia no Brasil, atendendo cerca de 40 milhões de pessoas por meio de suas concessionárias nos Estados da Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
A expectativa é de forte aumento dos investimentos em redes nos próximos anos, à medida que cresce a demanda por expansão e resiliência das redes de distribuição e transmissão, em meio à eletrificação da economia.
A Neoenergia também está em processo de renovação de seus contratos de distribuição de energia no Brasil, com o governo federal cobrando maior compromisso das empresas com investimentos para melhorar a qualidade da prestação dos serviços aos consumidores.
Analistas do JP Morgan contrastaram o acordo fechado no Brasil com a decisão da Iberdrola de se desfazer de ativos no México por US$4,2 bilhões. A Iberdrola saiu do México devido a preocupações com a estabilidade jurídica e tributária.
"A empresa fortalece sua posição em um país central e sai de um país onde o potencial de crescimento era questionável", disseram os analistas em nota.