IA não vai substituir criatividade e empatia humanas, afirmam startups na Rio Innovation Week
Em debate sobre empreendedorismo em tempos de inovação tecnológica, executivas ressaltam que algumas características humanas são impossíveis de delegar à máquina
Na mesa "O impacto da inteligência artificial no empreendedorismo", durante a Rio Innovation Week, nesta sexta-feira, 15, quatro especialistas em gestão de negócios no mundo digital destacaram que a inteligência artificial é cada vez mais fundamental no mundo dos negócios, mas nunca será capaz de substituir algumas das qualidades humanas.
"A criatividade, o pensamento analítico e a empatia não podem ser delegadas à IA", afirmou Cristiane Sanches, head de inovação e tecnologia do YDUQS, holding dedicada ao ensino superior. Ela destacou que, para elaborar suas respostas e atender aos pedidos, a IA usa um banco de dados com informações e ideias já registradas na internet. Então, não fará nada que alguma vez já não tenha sido usado. Empatia é outra qualidade que as máquinas não vão oferecer, ressaltou a executiva.
"A escassez hoje está nas habilidades humanas", afirmou Letícia de Freitas e Castro, jornalista do Identidades de Sucesso, sistema de mídia com conteúdos voltados para o segmento de negócios. Segundo ela, o senso crítico é uma qualidade humana que não se pode exigir da máquina - e, portanto, da inteligência artificial. "O humano tem bom senso, analisa a situação a partir de um contexto que a IA não tem. Ela é programada e reage conforme essa programação", disse.
A jornalista destacou que países famosos por oferecer ensino de qualidade, como a Finlândia e a Nova Zelândia, estão restringindo o uso de celulares e computadores por crianças, para obriga-las a desenvolver habilidades - os aparelhos eletrônicos oferecem facilidades que acabam limitando o desenvolvimento humano.
Voltando ao tema da criatividade, Claudia Sampaio, diretora Digital Channels do Banco Santander, destacou que o grande desafio atual do empreendedorismo é a diferenciação, porque, em função dos recursos tecnológicos, tudo acaba sendo "pasteurizado".
Para Lindália Junqueira, CEO Ions do festival de cultura digital Hacking.Rio, o maior desafio atual do empreendedorismo é conquistar a confiança do cliente - questão muito antiga na história dos negócios, mas que se torna ainda mais desafiadora conforme a tecnologia avança.