Houve uma espécie de estupro das contas públicas entre 2022 e 2023, no governo Bolsonaro, diz Haddad
Em evento do PT, ministro da Fazenda acusa governo anterior de descontrole fiscal e defende narrativa do atual governo
BRASÍLIA — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a criticar nesta sexta-feira, 6, a condução econômica do governo de Jair Bolsonaro (PL) e disse que houve "um estupro" das contas públicas durante a gestão.
"O que aconteceu de 2022 para 2023 é uma espécie de estupro das contas públicas, uma coisa alucinada que aconteceu. Qual é a narrativa da oposição? 'Nós entregamos em 2022 um superávit primário, e o governo Lula inaugurou uma fase de enormes déficits primários que estão acabando com as finanças do País'. Essa é a narrativa", declarou em Salvador (BA), durante evento de celebração do aniversário de 46 anos do PT.
Haddad citou a aprovação da PEC dos Precatórios e ressaltou que o antigo governo vendeu a narrativa de contas públicas em ordem, mas que, diante do fracasso eleitoral iminente, aprovou medidas prejudiciais. "Ele (governo Bolsonaro) imaginou que fosse comprar voto nos últimos dois meses, agosto e setembro, para ganhar a eleição, e ele dizia isso. [...] E obviamente que botou a Polícia Rodoviária Federal para não deixar os petistas votarem, como vocês sabem. Tudo isso não deu certo".
O ministro afirmou que a "ciência política não consegue explicar o fenômeno Lula", que saiu da prisão e conseguiu vencer a eleição presidencial. Disse, porém, que a comunicação do governo petista virou uma "coisa complexa demais", porque atualmente há contestação de fatos, como dados de órgãos oficiais.
Segundo o ministro, ele foi ao evento do PT como militante, em licença do Ministério de um dia. Em tom eleitoral, falou que sabe para onde vai. "'Haddad é neoliberal? O Haddad é comunista?' O Haddad é o Haddad. Vocês me conhecem há uns 40 anos. Então posso ter errado, posso ter acertado, mas eu sei o lugar que eu ocupo, sei de onde eu vim, sei para onde eu vou. Então está tudo em ordem comigo", falou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a admitir a possibilidade de lançar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato ao Senado por São Paulo.
Haddad disse na semana passada que sua saída do ministério deve ocorrer em fevereiro e evitou cravar o nome do secretário-executivo da Pasta, Dario Durigan, como seu sucessor. Ele disse que cabe a Lula fazer o anúncio. "O mês de fevereiro, com certeza", declarou o ministro em entrevista ao portal Metrópoles.