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Home office precisa de gestão e não de supervisão

25 jun 2022 - 01h00
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Foto: May Gauthier / Unsplash

Os modelos de trabalho mudaram bastante durante a pandemia da Covid-19, tendo empresas mantido o sistema home office, outras implementado o híbrido e algumas que retornaram para o presencial. Independentemente da escolha, acredito que o grande erro de boa parte das organizações seja a falta de uma boa governança. 

A falha está no líder que quer supervisionar, aquele que faz uma microgestão, centralizando muitas tarefas e não delegando o que, de fato, é necessário. É aquele profissional que quer controlar os horários dos funcionários, se esquecendo do essencial que é fazer uma gestão, seja para quem está dentro ou fora do escritório.

Neste ano, a Microsoft realizou um estudo sobre as tendências de trabalho e revelou que, no Brasil, 58% dos profissionais estão considerando mudar para o trabalho híbrido ou remoto em 2022. Mas, a mesma pesquisa revela que para 38% dos trabalhadores que aderiram ao sistema híbrido, o maior desafio é saber quando e como comparecer presencialmente ao local da empresa ― ou seja, demonstra uma falta de governança que afeta não somente o clima organizacional, mas também os resultados da companhia.

Se eu tenho uma boa estratégia, se a governança está bem definida, se há critérios, se está claro o que cabe para a rotina da empresa, qualquer modelo funcionará bem e isso é colocar em prática uma boa gestão. Acredito num meio termo de adequações das dinâmicas com a cultura empresarial e na disciplina dos funcionários que precisam entender que, seja onde estiver, terão que entregar o trabalho. Reafirmo: é preciso descobrir o que funciona bem, não em como supervisionar.

Um líder precisa estabelecer processos, inserir tecnologias e ferramentas que auxiliarão e facilitarão a rotina de trabalho, é necessário ter um modelo estruturado, comunicável e transparente para todos. E diálogo, é preciso muito diálogo.

Agora, há uma lição de casa para o funcionário também. Ainda de acordo com dados da pesquisa, para 53% dos profissionais, o bem-estar e a saúde se tornaram fatores mais importantes do que o trabalho. No Brasil, a priorização destes dois fatores foi uma das maiores, representando para 71% dos participantes a maior preocupação. 

Porém, se você está utilizando aquele tempo que gastava com a locomoção até a empresa para trabalhar ainda mais, algo de errado está acontecendo e a priorização pelo bem-estar não está sendo colocada em prática. Isso pode ser resultado da falta de rotina do próprio colaborador ou da falta de gestão. É preciso responsabilidade e disciplina de ambos os lados.

Para os líderes, meu conselho é: faça uma lista, um checklist de perguntas que precisa responder para organizar o seu modelo de negócio e dar transparência aos colaboradores. Crie uma política clara, faça pesquisa de clima e você passará a fazer a gestão da equipe e não a supervisão.

(*) Marco Oliveira é especialista em gestão estratégica de negócio com foco em Go-To-Market e sócio-fundador da O4B, empresa especializada em consultoria e soluções corporativas.

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