'Há pouco espaço para o Brasil aumentar impostos', diz presidente do Bradesco
Para Marcelo Noronha, medidas para o reequilíbrio das contas públicas precisam ser discutidas de forma mais ampla
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, disse nesta terça-feira, 10, que há pouco espaço para o País aumentar a carga tributária, e que por isso medidas para o reequilíbrio das contas públicas precisam ser discutidas de forma mais ampla. Ele não comentou sobre o pacote de medidas divulgado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no domingo, 8, mas elogiou o diálogo com a equipe econômica.
"Houve a discussão entre o Ministério da Fazenda e o Congresso Nacional com relação aos incentivos fiscais, colocar algum cap (limite), isso é positivo, porque você faz com que haja um maior equilíbrio em relação a isso, porque é muito difícil você simplesmente sair aumentando qualquer tributação, porque a elasticidade é baixa", afirmou ele, após participar de painel do Febraban Tech, em São Paulo.
De acordo com Noronha, o aumento do IOF que o governo havia proposto anteriormente para cumprir a meta fiscal deste ano era ruim, porque encarecia o crédito para o consumidor final. "No final das contas, tudo que você coloca no IOF, quem paga o IOF é o cliente, não são os bancos. Os bancos não estão trabalhando em benefício público, a gente está trabalhando para não onerar as empresas."
Segundo ele, tanto a Fazenda quanto o Congresso têm escutado os bancos de forma atenta, e a agenda do setor é de propor soluções para as contas públicas do País. Noronha disse que prefere esperar que as medidas divulgadas pelo governo no domingo sejam formalizadas para tecer comentários.
O executivo disse ainda que existe uma assimetria no recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no setor financeiro. "Tem financeiras, com crédito, financiamento e investimento, que pagam contribuição social, sobre lucro líquido menor do que os 20% (recolhidos pelos bancos)", afirmou.
Uma das medidas propostas pelo governo é extinguir a alíquota de 9%, paga por algumas fintechs. Associações que representam estes agentes afirmam que a medida pode restringir modelos de negócio.
Noronha disse ainda que sempre defendeu o equilibro fiscal, mas pelo lado da despesa, e não pela receita. "Nossa postura sempre foi construtiva em relação ao Congresso Nacional para mostrar os efeitos das medidas."
Pouco antes, o presidente do Itaú, Milton Maluhy defendeu o fim da polarização e a união para a construção de um país melhor.
"Nunca fomos contrários à competição, mas ela tem de ser simétrica", defendeu Noronha, citando o discurso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo na abertura do evento, em que ele detalhou a evolução da agenda do BC.
O presidente do Santander, Mario Leão, destacou que espera que os debates evoluam para reformas de temas estruturantes. "Estamos em um momento em que temas estruturantes estão sendo debatidos", disse ele. "Ninguém acorda querendo pagar mais imposto."