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Governo deve elevar projeção de inflação em 2026 sob impacto do El Niño, diz secretária

1 jul 2026 - 11h43
(atualizado às 12h33)
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O Ministério da Fazenda ‌deve revisar para cima sua projeção oficial para a inflação em 2026 por ver um viés de alta em relação à estimativa feita em maio, de 4,5%, diante do fenômeno climático El Niño e outros fatores, disse nesta quarta-feira a secretária de ⁠Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire.

Em entrevista ao portal ‌Jota, a secretária afirmou que o governo tem hoje mais clareza de que o El Niño "vem forte", o que deve minimizar ‌o arrefecimento da inflação que era ‌esperado para o segundo semestre deste ano.

"A gente já esperava ⁠um El Niño mais agressivo, mas agora esse cenário está se consolidando de forma mais robusta. Então, devido a isso, a gente entende que há um risco, há um vetor altista para a inflação neste ano", disse.

Ela acrescentou que a nova previsão -- que ‌superará o teto da meta de inflação do Banco Central, que ‌é de 4,5% -- deve ⁠ficar abaixo da ⁠apontada pelo mercado, que estimou nesta semana uma inflação de 5,33% em 2026, ⁠segundo o boletim Focus do ‌Banco Central.

Freire afirmou ainda ‌que a pasta vê uma estabilidade em relação à projeção feita em maio para a atividade econômica do país, que apontava para uma alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) ⁠neste ano.

A secretária ponderou que os números, que serão divulgados oficialmente mais tarde neste mês, ainda passam por avaliação e poderão ser ajustados.

Freire acrescentou que a elevação de juros em economias avançadas traz um cenário mais ‌desafiador para o crescimento econômico do Brasil em 2027. Segundo ela, uma expectativa de taxa Selic mais alta do que o ⁠previsto anteriormente também pode gerar efeitos sobre a atividade.

Em relação às contas públicas, a secretária disse que o arcabouço fiscal implementado pelo atual governo está cumprindo sua função de fazer uma consolidação gradual.

"Nossa expectativa é que o arcabouço fiscal faça a convergência da dívida pública no médio prazo, não no próximo ano", afirmou.

Ela reconheceu que há desafios fiscais, sendo necessário conter o crescimento de despesas obrigatórias dentro do limite de alta real de 2,5% por ano para gastos estabelecido pelo arcabouço, além de ampliar a formalização de trabalhadores, o que geraria impacto positivo sobre contribuições previdenciárias.

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