Governo ampliará bloqueio de despesas de ministérios, diz Durigan
O governo federal anunciará na sexta-feira uma ampliação do bloqueio de gastos de ministérios para respeitar o limite de despesas deste ano, disse nesta quinta-feira o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Atualmente, o bloqueio está em R$1,6 bilhão. Em entrevista à CNN Brasil, Durigan afirmou que apesar do bloqueio maior, não será necessário promover um contingenciamento -- trava ativada quando a equipe econômica vê risco de descumprimento da meta fiscal do ano.
O governo agendou para 15h de sexta-feira a apresentação de seu relatório bimestral de receitas e despesas, que avalia o andamento das contas federais e aponta eventuais necessidades de cortes de gastos para atender a regras fiscais.
"A gente vai caminhar para um aumento de bloqueio, portanto, é o governo cortando na própria carne", disse o ministro.
Na entrevista, Durigan disse concordar que os juros no Brasil não são civilizados, acrescentando que o governo se incomoda com um custo elevado para a rolagem de sua dívida pública.
Ele defendeu que o governo siga com uma trajetória gradual de saneamento das contas públicas e ajude o Banco Central no controle da inflação, mas afirmou que as atuais pressões sobre preços foram geradas pela guerra no Irã, não pela política fiscal do governo.
Perguntado sobre o risco de medidas do governo estimularem o consumo e pressionarem a inflação, Durigan disse que "não é verdade que estamos injetando dinheiro para aumentar a demanda de maneira geral". Para ele, as linhas de crédito anunciadas até o momento, como as voltadas para caminhões e motoristas de aplicativo, são direcionadas a agentes impactados pelo choque da guerra no Irã.
DIRETORIAS DO BC
Na entrevista, o ministro disse ser contra "maiores atrasos" nas indicações de nomes para diretorias do Banco Central, afirmando que deve conversar sobre o tema "em breve" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ele ponderou que ainda não tratou sobre esse assunto com Lula e disse que tem se concentrado em outros assuntos.
A diretoria do Banco Central está desfalcada desde o início do ano, com o Comitê de Política Monetária (Copom) tomando decisões de juros sem dois dos nove membros. O governo não indicou nomes para ocupar as cadeiras diante de dificuldades políticas no Senado, que é responsável por avaliar e aprovar as indicações.
Em outra frente, após o governo decidir zerar o imposto de produtos de pequeno valor comprados em plataformas internacionais, conhecido como "taxa das blusinhas", Durigan disse que o tributo é regulatório e, portanto, pode ser rediscutido ou retomado se houver algum "desarranjo" no sistema.
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