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Ganhos de produtividade com IA podem não conter inflação, alerta economista-chefe do FMI

20 ago 2026 - 09h48
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Mesmo que a ‌inteligência artificial aumente a produtividade, ela pode não reduzir a inflação, alertou a nova economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Silvana Tenreyro, em uma pesquisa publicada pela equipe do Banco da Inglaterra nesta quinta-feira.

À primeira vista, uma maior produtividade econômica — produzir mais com ⁠a mesma quantidade de insumos — deveria levar a preços mais ‌baixos.

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que espera que a implantação da inteligência artificial permita que a economia ‌dos EUA cresça mais rapidamente sem causar ‌aumento da inflação.

Mas Tenreyro, em um artigo escrito em ⁠coautoria com a economista do Banco da Inglaterra Jenny Chan e a pesquisadora de doutorado Ludovica Ambrosino, afirmou que o impacto sobre a inflação dos tão esperados ganhos de produtividade é ambíguo.

"Tanto o investimento empresarial quanto os gastos das famílias (podem) antecipar-se ‌aos ganhos de produtividade efetivamente alcançados, como muitos argumentam que está ‌ocorrendo atualmente com o ⁠investimento em ⁠infraestrutura de IA", afirmaram os pesquisadores.

Se a demanda por investimentos — ou os gastos ⁠em antecipação a ganhos ‌futuros decorrentes da IA — ocorrer ‌antes que a economia tenha realmente visto a prometida melhoria na produtividade, isso pode levar a restrições de oferta, elevando a inflação e exigindo taxas de juros mais altas, ⁠segundo a análise.

Os preços da memória de computador e dos chips gráficos dispararam no último ano devido à demanda dos centros de dados, elevando os preços de telefones, laptops e outros eletrônicos.

A pesquisa também indicou ‌que o impacto dos ganhos de produtividade na inflação, em geral, depende do fato de eles serem sentidos mais em ⁠bens exportados ou em serviços produzidos no mercado interno.

Os ganhos de produtividade nos serviços tendem a reduzir a inflação doméstica, enquanto os relacionados às exportações tendem a elevar os salários no mercado interno e impulsionar a demanda por serviços com oferta restrita, aumentando a inflação.

A pesquisa foi publicada no blog "Bank Underground" do BoE, um fórum para que funcionários do BoE compartilhem opiniões que não refletem necessariamente a visão oficial do banco central.

Tenreyro, que integrou o Comitê de Política Monetária do BoE de 2017 a 2023, contribuiu para o artigo em sua função de professora da London School of Economics.

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