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Foi executivo de banco por 30 anos e agora ajuda pequenas empresas; novo modelo emprega veteranos

Plataformas de 'open talent' reúnem executivos que trabalharam em grandes companhias para consultoria sob demanda por preços acessíveis a pequenos negócios que não teriam como bancar esse custo

1 abr 2024 - 09h40
(atualizado às 10h23)
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Foto: Reprodução/iStock/AmnajKhetsamtip

Aos 59 anos, o consultor financeiro Antonio Abbad ajuda a organizar as finanças de pequenas e médias empresas com sua vasta experiência em grandes bancos, onde chegou ao cargo de CFO (diretor financeiro). Mas seu esquema de trabalho é um pouco diferente do tradicional.

Ele faz colaborações em tempo parcial para várias empresas diferentes. Dessa forma, leva expertise por um custo menor para empreendedores que teriam dificuldade para pagar um consultor em tempo integral. Do lado de Abbad, ele continua exercendo a profissão e obtendo renda com mais flexibilidade e agenda própria.

Esse modelo é conhecido como "open talent", que é a contratação de executivos e profissionais seniores sob demanda, em regime part-time, para liderar projetos estratégicos.

Abbad presta serviços com a intermediação da Talento Sênior, uma das plataformas que fazem essa ligação de profissionais veteranos com empresas pequenas e médias.

Para ele, o verdadeiro ganho desse modelo vai além dos aspectos financeiros. Ele destaca a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiência, ajudando empresas a crescerem e prosperarem mesmo nos momentos mais desafiadores.

"A maior carência das empresas hoje, olhando o lado financeiro, é conhecer as implicações de impostos e tributações a pagar. E acredito que toda minha experiência de 30 anos na área financeira me deu uma visão para analisar negócios e ajudar", afirma o consultor.

Como funciona na prática?

Usando o formato part-time, com número reduzido de horas por semana, o conceito open talent permite que as empresas se abram a colaboradores externos, freelancers, consultores e especialistas temporários para realizar projetos específicos.

Um dos principais benefícios desse modelo é o acesso a uma vasta gama de conhecimentos especializados e experiência prática acumulada ao longo de anos de carreira.

Esses executivos e profissionais seniores trazem consigo insights valiosos, o que pode resultar em soluções inovadoras e estratégias eficazes para os desafios enfrentados pelas empresas.

Uma empresa pode ter um aumento repentino em sua demanda e precisa de talentos especializados a curto prazo para atender a essa necessidade.

Em vez de contratar um funcionário fixo e depois que acabar o projeto não ter função para ele, a empresa adota o modelo open Talent: acessa plataformas online, como a Chiefs.Group e a Talento Sênior, que conectam empresas com talentos externos e encontram executivos e seniores com as habilidades necessárias para liderar projetos específicos sob demanda.

Essas plataformas possuem perfis de milhares de talentos seniores em suas bases, capazes de encontrar o profissional ideal para o desafio das companhias, conectando executivos de alta senioridade às empresas.

"O conceito proporciona benefícios e vantagens competitivas para a empresa contratante e para o profissional sênior contratado. A empresa pode contratá-lo de forma fracionada para atender a uma demanda específica. Em razão disso, o modelo proporciona a redução de custos de contratação, em especial para as PMEs, de forma a viabilizar o acesso ao talento de profissionais altamente qualificados pagando por uma fração do seu tempo e não pelo seu tempo integral", destaca a CEO da Talento Sênior, Juliana Ramalho.

"Nós recomendamos essa solução para negócios de qualquer estágio que buscam expertise para decisões críticas e que querem uma segunda opinião estratégica. Você pode ser orientado por profissionais que já passaram por grandes empresas como Google, Itaú, Netflix, por exemplo — algo impossível quando falamos da contratação tradicional, pois eles não estão disponíveis no mercado —, trazendo agilidade para a resolução dos problemas", afirma Luciana Carvalho, CEO e co-fundadora da Chiefs.Group.

"Imagine que você seja o capitão de um navio. Seu objetivo é chegar a outro continente para fazer uma entrega. No entanto, sua equipe não tem conhecimento suficiente para ler as informações dos radares, aumentando as possibilidades de ir para o caminho errado. Você pode recrutar um especialista, mas isso demandará tempo e investimento. Ou você pode contratar esse profissional sob demanda, apenas para aprender como fazer a leitura do equipamento, agindo rapidamente, eliminando a necessidade de treinamento e economizando recursos", exemplifica a CEO.

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Varejo, serviços e tecnologia se destacam no open talent

Empresas de diversos setores usam o modelo open talent, especialmente em varejo, serviços e tecnologia.

Embora não seja uma novidade global, sua adoção no Brasil tem sido relativamente lenta em comparação com outros países. Juliana Ramalho afirma que nos Estados Unidos essa prática é muito comum.

Várias razões têm impulsionado a adoção do modelo no país:

  • Para os empregadores: oferece uma vantagem significativa em termos de custo-benefício. Ao evitar os altos custos associados à manutenção de executivos em tempo integral, as empresas podem economizar recursos financeiros, enquanto ainda se beneficiam da experiência e liderança desses profissionais sob demanda, reduzindo custos e otimizando recursos.
  • Para os trabalhadores: a flexibilidade é um fator crucial. O part-time representa uma oportunidade de ingressar ou permanecer no mercado de trabalho sem comprometer totalmente sua disponibilidade para outras atividades, além de poderem também oferecer suas competências para mais de uma companhia ao mesmo tempo.

Desafios do modelo open talent

Apesar dos benefícios evidentes, a adoção do modelo "Open Talent" também apresenta desafios. Questões relacionadas à segurança de dados, gestão de projetos remotos e integração à cultura organizacional são algumas das preocupações das empresas.

Para os empregadores, é necessário repensar as estratégias de gestão de equipe e garantir que os trabalhadores part-time sejam integrados de forma eficaz às operações da empresa. Além disso, é importante garantir que esses funcionários tenham acesso a benefícios e direitos trabalhistas adequados, evitando situações de precarização do trabalho.

Para os trabalhadores, a principal preocupação está relacionada à estabilidade financeira. Muitos temem que o trabalho part-time possa resultar em uma renda instável.

Estadão
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