Fim da escala 6x1: Redução da jornada pode impactar setor de transporte em R$ 11,88 bi, diz CNT
Para manter o nível de atividade com uma jornada reduzida e novas escalas, de acordo com o estudo, seria necessário contratar cerca de 240 mil trabalhadores adicionais
Estudo divulgado nesta terça-feira, 14, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) calcula que reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode ter impacto, no longo prazo, de R$ 11,88 bilhões nos custos do setor.
O levantamento, encomendado pela CNT e realizado pelo sociólogo e professor da USP José Pastore e pelo economista Paulo Rabello de Castro, analisa efeitos econômicos e operacionais de mudanças no regime de trabalho.
Nas estimativas de Pastore e Rabello, a alteração da jornada sem ajuste proporcional de salários resultaria em um aumento imediato de 10% no valor da hora trabalhada. No segmento de transporte, no qual 92,5% dos trabalhadores atuam dentro do limite atual, a alta nos custos com pessoal seria de 8,6%.
O estudo analisa, ainda, possíveis efeitos nas escalas de trabalho. O segmento de transportes, por exemplo, precisa de uma operação contínua, sem pausas no dia nem interrupção ao longo da semana.
Para manter o nível de atividade com uma jornada reduzida e novas escalas, seria necessário contratar cerca de 240 mil trabalhadores adicionais, estimam os pesquisadores. "No entanto, a expansão do emprego esbarra em um problema já conhecido: a escassez de mão de obra qualificada", observa a CNT, em nota.
Em outro levantamento realizado anteriormente, a confederação indicou que 65% das empresas têm dificuldade para contratar motoristas, o que é verificado em 44,6% das companhias de transporte rodoviário de cargas e em 53,4% do segmento de transporte de passageiros.
Para pequenas empresas, que são 90,5% dos empreendimentos no setor de transporte, a redução da jornada seria mais desafiadora, devido à menor margem operacional, observa a CNT. Atualmente, quase metade (47,3%) do valor adicionado bruto já é destinado a pagamento de funcionários.
A entidade alerta, ainda, para a possibilidade de que a alteração na jornada semanal resulte em aumento da informalidade. Atualmente, 92% dos trabalhadores do setor têm carteira assinada, mas as empresas podem ser pressionadas por custos mais elevados, diz a CNT. Por fim, defende a confederação, qualquer mudança precisa ser feita por acordo coletivo, respeitando as características de cada setor da economia.
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