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Externo pouco mais calmo dá espaço para alta do Ibovespa

3 out 2019
11h26
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O ambiente externo um pouco mais calmo permitiu um início de pregão nesta quinta-feira, 3, em alta do Ibovespa, que, na quarta-feira, 2, amargou perdas de quase 3% (-2,9%), caindo para a faixa dos 101 mil pontos. Isso não significa que as preocupações com a dinâmica de desaceleração da economia global se dissiparam.

Pelo contrário, hoje novos dados da zona do euro reforçam o quadro de desaquecimento e, para completar, há mais um capítulo da novela sobre a guerra comercial que gera cautela. A Organização Mundial do Comércio (OMC) permitiu que o governo norte-americano adote medidas retaliatórias contra a União Europeia devido à prática do bloco de conceder subsídios à Airbus.

A decisão foi comemorada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Às 9h30, o Ibovespa futuro subia 0,36%, aos 101.455 pontos.

Além disso, a reforma da Previdência ainda causa ruído e, portanto, pode limitar a recuperação, conforme os agentes. O governo corre para tentar aprovar a reforma previdenciária ainda este mês, e a expectativa é que avance na articulação. Porém, agentes não descartam nova desidratação e, com isso, uma demora em se efetivar o processo de aprovação.

"Quanto mais tempo houver de atraso, mais o custo vai caindo para as contas do País, gerando ainda mais problema fiscal. Essa briga da Câmara com o Senado em relação à cessão onerosa de nada adianta", diz um operador.

Para votar a reforma em segundo turno, senadores cobram uma Medida Provisória (MP) para garantir a divisão entre Estados e municípios dos recursos que virão da cessão onerosa, venda do excedente do leilão do pré-sal, marcado para 6 de novembro. Para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a edição de uma MP poderá ser a solução do governo para garantir a divisão dessas parcelas, e que tratará do assunto com o governo nos próximos dias.

A expectativa do economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, é que essa estratégia seja uma "moeda de troca" do governo para tentar recolocar no texto da reforma da Previdência a questão do abono salarial. Ao aprovar esta semana o relatório da reforma na CCJ do Senado em primeiro turno, a regra que restringia o direito ao abono salarial foi derrubada, impondo derrota para o governo.

"Isso foi um sinal negativo. Pode ser uma moeda de troca em relação à cessão onerosa, mas isso ainda não sabemos. Pode ser que na segunda fase incluam essa regra abono salarial", avalia Vieira.

O economista também estima que o cenário negativo dos últimos dias por conta dos resultados ruins da economia norte-americana tenham efeitos somente de curto prazo. "São dados que merecem atenção, mas não sugerem quadro recessivo", diz.

A despeito da expectativa de alta na B3, o operador pondera que o ganho não deve ser expressivo, pois o investidor ficará em compasso de espera pelos dados de emprego dos EUA, amanhã, sobretudo depois dos últimos dados sugerindo desaquecimento econômico mais forte que o esperado.

Às 10h55, o Ibovespa subia 0,13%, aos 101.161,87 pontos.

Estadão
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