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Exportação como métrica real da inovação

Se almejamos uma pauta exportadora sofisticada, as missões da Nova Indústria Brasileira são assertivas

20 jul 2026 - 22h13
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Dados da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelam uma radiografia preocupante da inserção externa brasileira. Em 2024, 83% das receitas de exportação originaram-se de commodities agrícolas e minerais. Produtos de média tecnologia responderam por 14%, enquanto o segmento de alta densidade tecnológica não atingiu 3%.

Nos últimos 50 anos, nossa produtividade agrícola triplicou e o papel da pesquisa tecnológica conduzida pela Embrapa é incontestável.

Nesse mesmo meio século, a Coreia do Sul não priorizou a ciência básica de imediato, mas o desenvolvimento tecnológico e a engenharia de produtos e processos. Em paralelo, avançou na educação e formação de mão de obra qualificada em tecnologias industriais. Hoje se volta para a ciência básica, buscando perpetuar a competitividade da indústria e liderar fronteiras, como a inteligência artificial (IA) e a computação quântica.

Papel da pesquisa tecnológica conduzida pela Embrapa é incontestável
Papel da pesquisa tecnológica conduzida pela Embrapa é incontestável
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado / Estadão

No Brasil, o investimento em ciência priorizou o âmbito acadêmico, muitas vezes desatrelado das necessidades do mercado. Dispomos de laboratórios de excelência, mas nossa pauta exportadora revela baixa ênfase em desenvolvimento tecnológico e engenharia de produto.

Ora, para haver inovação em processos e produtos industriais competitivos, a empresa é o ator indispensável. Vale lembrar que a ênfase brasileira na ciência está ancorada na premissa da "hélice tripla" (governo-academia-empresa). Sem pesquisa aplicada nas empresas, a sinergia entre esses mundos é meramente protocolar.

Se almejamos uma pauta exportadora sofisticada, as missões da Nova Indústria Brasileira são assertivas ao focar em indústria 4.0, defesa, saúde, bioeconomia, mobilidade e agroindústria. Todavia, essas iniciativas naufragarão se a política industrial se limitar a atrair fábricas de produtos projetados no exterior.

O sucesso internacional do agro brasileiro não deve ser o teto de nossas ambições. Se somos líderes em soja, café e suco de laranja, por que não ser também exportadores globalmente relevantes de implementos e maquinário agrícola?

A Coreia do Sul adota a exportação de alto valor agregado como métrica para aferir a efetividade das subvenções e renúncias fiscais voltadas à inovação. O país registrou exportações totais de US$ 710 bilhões em 2025: 48% correspondem a bens de alta tecnologia, 47% a produtos de média intensidade tecnológica e apenas 5% a commodities.

Na lógica coreana, a inovação só se valida quando conquista o mercado externo. Inovações brasileiras que não atravessam fronteiras tendem a ser, na melhor hipótese, "jabuticabas" sem competitividade global; na pior, configuram alocação ineficiente de recursos públicos.

Estadão
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