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EXCLUSIVO-Europa avalia nova liberação de estoques de diesel após pressão dos EUA, dizem fontes

2 out 2026 - 09h18
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Resumo
Sob pressão do governo dos EUA, que ameaça proibir suas próprias exportações de combustíveis antes das eleições, a União Europeia avalia liberar 50 milhões de barris de reservas de diesel para conter os preços globais. O plano também prevê que a AIE libere 50 milhões de barris de petróleo bruto. O bloco busca equilibrar os custos com a segurança energética, afetada pela guerra no Irã e restrições na Rússia e China, e pode exigir a garantia de que Washington não fechará o mercado externo.

Os países da União Europeia discutiram nesta ‌sexta-feira uma proposta francesa para liberar estoques de diesel em resposta à pressão dos Estados Unidos para ajudar a conter a alta dos preços dos combustíveis, informaram à Reuters duas fontes a par dos detalhes da discussão.

A proposta, discutida em uma teleconferência envolvendo governos da UE, prevê que os países europeus liberem 50 milhões de barris de diesel e que os ⁠membros da Agência Internacional de Energia liberem 50 milhões de barris de petróleo bruto, disseram ‌as fontes.

As discussões ressaltam a crescente pressão sobre a Europa, à medida que o presidente dos EUA, Donald Trump, considera uma possível proibição das exportações de diesel dos EUA para ‌ajudar a reduzir os preços internos dos combustíveis antes ‌das eleições legislativas de meio de mandato de 3 de novembro no país. 

Ao avaliar ⁠sua resposta, a UE precisa equilibrar a necessidade de amenizar os custos crescentes dos combustíveis com a preservação das reservas de emergência para se proteger contra a incerteza no abastecimento dos produtores do Golfo Pérsico, devido às interrupções causadas pela guerra no Irã.

Os ministérios das Finanças e da Energia da França não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

A Reuters informou ‌na quinta-feira que o governo Trump havia dito à Alemanha e à França para reduzirem seus ‌estoques de emergência de diesel ⁠ou enfrentarem uma possível ⁠proibição das exportações de diesel dos EUA, segundo três pessoas próximas às discussões.

Os EUA exigiram que grandes países ⁠europeus, incluindo França e Alemanha, liberassem 100 milhões ‌de barris de diesel em ‌um prazo de 20 dias, disse uma das fontes à Reuters nesta sexta-feira.

O abastecimento global de diesel foi afetado pela guerra dos EUA com o Irã e pela proibição russa de exportações após a Ucrânia ter danificado muitas de suas refinarias. As refinarias ⁠chinesas também suspenderam as exportações de combustível em outubro para reforçar os estoques domésticos, disseram as fontes.

A liberação proposta de 50 milhões de barris equivale a aproximadamente 17% do total dos estoques de emergência de diesel e gasóleo da UE, segundo dados do Eurostat atualizados em maio de 2025.

Isso representa cerca de ‌3% do consumo anual do combustível pelo bloco, segundo dados do Eurostat.

A Europa costumava depender principalmente das importações de diesel da Rússia e do Oriente Médio, mas, nos últimos anos, ⁠tem recorrido cada vez mais às importações dos EUA.

Na teleconferência desta sexta-feira, os países da UE discutiram a possibilidade de condicionar qualquer acordo sobre a liberação de estoques de diesel a um compromisso dos EUA de não impor uma proibição unilateral à exportação do combustível, disse uma das fontes.

Os líderes dos países do G7 podem realizar uma teleconferência na tarde desta sexta-feira para discutir os próximos passos, disse a fonte. A França detém atualmente a presidência do G7.

A AIE, composta por 32 membros, concordou em março com uma liberação coordenada de 400 milhões de barris de reservas estratégicas de petróleo, em resposta à guerra no Irã — a maior liberação desse tipo da história.

O diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, afirmou nesta semana que os membros já haviam liberado cerca de dois terços desse volume.

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