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EUA e Canadá vão aprender que as melhores fintechs vêm da América Latina, diz Dan Herman

Para o professor da Universidade de Toronto, os países se sentiam seguros no setor financeiro e estão prestes a ver a chegada do Nubank à América do Norte; leia entrevista

26 abr 2026 - 05h41
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Especialista em política de inovação, professor e documentarista canadense, Dan Herman afirma que a receita para criar startups de sucesso em qualquer país é estimular que sejam competitivas globalmente. Herman cita o caso do Nubank, criado no Brasil, que dá seus primeiros passos nos Estados Unidos após obter licença para atuar como banco no país no começo deste ano.

"Em particular nas finanças, as empresas americanas e canadenses sempre se sentiram seguras. Agora, vamos aprender que as melhores tecnologias, especialmente em fintechs, vêm da América Latina. Seja o open banking no Uruguai ou as inovações no Brasil, o mundo está prestes a perceber o potencial que sai de São Paulo e da região", afirma.

Herman é cofundador do Centre for Digital Entrepreneurship and Economic Performance (DEEP Centre), think tank dedicado ao empreendedorismo digital e desempenho econômico, e atua como professor na Munk School of Global Affairs & Public Policy, da Universidade de Toronto.

Segundo ele, o mundo está em um momento em que a inovação pode vir de qualquer pessoa e de qualquer lugar, incluindo países que antes não eram conhecidos por criar negócios globais ou disruptivos.

Para Herman, as empresas e países devem acelerar investimentos em inovação para encontrar novos parceiros comerciais diante do conturbado cenário geopolítico

"Embora este período de incerteza sempre cause um efeito imediato nos balanços, com empresas preocupadas em garantir que não percam seus mercados no curto prazo, elas precisarão, fundamentalmente, encontrar novos parceiros comerciais devido às dificuldades comerciais e à geopolítica", diz.

Herman será um dos palestrantes internacionais do São Paulo Innovation Week, que acontece de 13 a 15 de maio no Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado. O festival é uma realização do Estadão, em parceria com a Base Eventos — assinantes podem comprar ingressos com 35% de desconto: para adquirir o passaporte para os três dias de evento. Não assinantes devem acessar este link.

Leia os principais trechos da entrevista com Herman a seguir.

Dan Herman, especialista em geopolítica e inovação, será palestrante do São Paulo Innovation Week
Dan Herman, especialista em geopolítica e inovação, será palestrante do São Paulo Innovation Week
Foto: Divulgação/LinkedIn/Acervo Pessoal / Estadão

O sr. estuda inovação no mundo todo. Como vê as startups que surgem em países do sul global? Elas conseguem competir de igual para igual com o restante do mundo?

O que vejo acontecer em lugares como Brasil, Colômbia, Argentina e Uruguai, e em mercados emergentes por todo o mundo, na África, América Latina e Sudeste Asiático, é o desenvolvimento de startups e ecossistemas que são tão competitivos, tecnicamente competentes e, em alguns casos, transformadores quanto qualquer outro. Contudo, se você vive e trabalha na América do Norte ou na Europa, tende a pensar que nada disso poderia vir desses lugares. Permita-me compartilhar um exemplo muito bom: o Nubank, do Brasil, está chegando à América do Norte e aos Estados Unidos. Converso com empresas de fintech da Colômbia, do México e da África que estão vindo para a América do Norte porque desejam o mercado daqui. Acredito que isso seja parte de uma mudança absolutamente transformacional que ocorreu nos últimos dez anos na tecnologia, onde, de repente, esses locais que não estavam no mapa da inovação global agora estão presentes e, em alguns casos, irão redesenhar o mapa.

O mundo vai investir menos em inovação diante do cenário geopolítico global instável que temos hoje?

Acredito que será o oposto. Embora este período de incerteza sempre cause um efeito imediato nos balanços, com empresas preocupadas em garantir que não percam seus mercados no curto prazo, elas precisarão, fundamentalmente, encontrar novos parceiros comerciais devido às dificuldades comerciais e à geopolítica. O Canadá, por exemplo, é um país e uma economia que, por quase 70 anos, enviou cerca de 80% de tudo o que produz economicamente para um único mercado, os Estados Unidos. Sempre soubemos que isso era um problema, mas foi apenas nos últimos 18 meses que percebemos que precisamos de novos amigos. Assim, nossas empresas precisam percorrer o mundo e encontrar novos parceiros. Mas, ao fazer isso, elas precisam ser as melhores. Frequentemente, em todos os mercados, pensamos que se formos o número um no Brasil, seremos o número um no Canadá, mas muitas vezes não sabemos o que está acontecendo naqueles mercados. Portanto, para empresas do mundo todo, esse período de incerteza significa que elas deveriam investir mais em inovação.

O sr. é um empreendedor. Você recentemente escreveu nas redes sociais que não se criam startups de sucesso sem políticas sociais que desenvolvam esses fundadores desde cedo. Existe uma fórmula para que os países preparem fundadores de startups de sucesso?

Acredito que sim. Como todo formulador de políticas tenta estimular, a receita para construir startups de sucesso é criar negócios que sejam globalmente competitivos. Quem trabalha com política econômica deseja criar empresas que, eventualmente, irão de São Paulo para Toronto ou Nova York e tragam capital de volta para São Paulo, e vice-versa para as empresas canadenses. Para fazer isso, não se trata apenas de tecnologia ou de pesquisa e desenvolvimento, mas de construir uma visão coesa de como o mundo funciona. Trata-se de ter um engajamento profundo e relações de confiança nesses mercados, para que as pessoas saibam que podem confiar em você ao fazer negócios, seja no Brasil ou em Toronto. A inovação precisa encontrar as realidades de como os seres humanos interagem e como construímos confiança e engajamento social.

Do ponto de vista canadense, como fomos tão dependentes dos Estados Unidos, agora precisamos construir engajamento em todos os outros lugares. Pense nas ligações entre a América Latina e a África, entre a África e o Sudeste Asiático ou o Golfo. Antes, considerávamos todos esses lugares como mercados pequenos. Agora, eles são mercados enormes em crescimento com os quais precisamos construir engajamento social para estabelecer relações de confiança de longo prazo.

Como um país pode medir a eficácia de uma política pública de inovação?

Nós lidamos com essa questão durante os meus anos no governo. Gostamos de pensar que veremos um impacto imediato de uma política de investimento em inovação no crescimento das empresas e, consequentemente, no PIB per capita ou na produtividade. No fim das contas, esses são os números que desejamos. Queremos que as pessoas em nossos países se sintam mais prósperas e tenham mais recursos à disposição. Para que isso ocorra, precisamos de empresas vendendo algo que outros queiram comprar. Assim, a medida imediata da política de inovação é a taxa de sucesso das nossas empresas. Quantas delas estão se tornando globais, quantas estão exportando e quantas estão criando empregos internamente.

A médio prazo, podemos medir a contribuição dessas empresas para os dados de produtividade, mas como a produtividade multifatorial, que combina tecnologia e trabalho, e, fundamentalmente, como isso altera a renda das pessoas. É isso o que importa. Se as pessoas não têm o suficiente para suas necessidades básicas ou não se sentem prósperas, nós perdemos o foco e nossas políticas de inovação deixam de ter relevância.

Como está hoje o ecossistema de startups no Canadá? O que está funcionando, o que não está?

Há cerca de 20 anos o sistema de inovação canadense cresce rapidamente, mas sempre tivemos dificuldade em criar grandes empresas. Em 2015, surgiu uma nova geração de tecnologia, especialmente empresas de software como serviço (SaaS) e e-commerce, liderada pela Shopify, mas eram poucos exemplos. No governo, pensamos em como ajudar a construir uma nova geração de scale-ups (startups em estágio de expansão). Criamos programas para desenvolver essas empresas porque já possuímos um ecossistema muito rico para pesquisa e startups em estágio inicial. O desafio tem sido como transformar essas companhias em organizações que possam ir para o exterior, conquistar mercados e trazer os lucros de volta para casa.

Trabalhamos nisso sob a perspectiva de políticas públicas por 15 anos e agora vemos uma longa lista de empresas com faturamento superior a US$ 100 milhões ao redor do mundo. Contudo, ainda não temos aquela classe de empresas reconhecíveis que alguém no Brasil diria prontamente: 'Sim, eu sei que eles são canadenses'. Temos algumas, mas ainda há muito trabalho para criá-las.

O que o Canadá pode ensinar ao mundo sobre inovação?

O que fizemos muito bem no Canadá foi focar no talento, atraindo as melhores e mais inteligentes pessoas do mundo. A tecnologia, a construção de empresas e ecossistemas de inovação dependem inteiramente das pessoas, do quão inteligentes, determinadas e ambiciosas elas são. E essas pessoas não estão apenas em São Paulo ou Toronto, elas estão em toda parte. Existe uma enorme corrida global por esse talento único. No Canadá, alteramos nossa política de vistos para tecnologia e pesquisadores para tornar a mudança para o país bastante atraente, o que sustenta o crescimento dos nossos ecossistemas. Nosso atual governo também trabalha para garantir capital suficiente, tanto para empreendedores iniciantes — já que começar uma empresa é uma tarefa solitária e difícil — quanto para a fase de crescimento. Quando uma empresa atinge 500 funcionários e dois mercados, ela precisa de capital doméstico para chegar a 10 mercados e 5 mil funcionários, mantendo os lucros no país.

O terceiro elemento é garantir o acesso à pesquisa de ponta. Fui CEO de uma agência de propriedade intelectual onde ajudávamos empreendedores a proteger suas criações, mas também trabalhávamos com universidades para garantir que o conhecimento produzido pelos professores chegasse à indústria e tivesse aplicação prática para a economia. A forma como conectamos pesquisa pública com empreendedores é algo que algumas agências canadenses fazem excepcionalmente bem.

Como os países podem fomentar a inovação no setor privado? Muitas empresas no Brasil e em outros países destinam recursos ao pagamento de acionistas em vez de investir em inovação.

Este é um problema no mundo todo. No Canadá, infelizmente, um dos nossos desafios é que o setor empresarial tem sido um investidor fraco em pesquisa e desenvolvimento. Estamos atrás nesse quesito e criamos incentivos fiscais para tentar encorajá-los. No entanto, fundamentalmente, o que importa agora é que vivemos em um mundo onde é preciso ser excepcionalmente competitivo. Talvez uma empresa tenha um mercado doméstico garantido hoje, e no Canadá fomos um pouco complacentes por termos um mercado interno confortável e a maior economia do mundo ao nosso lado querendo comprar tudo de nós. Mas esse mundo mudou. Agora, precisamos pensar em como vender para o Brasil, para a Nigéria ou para a Índia. Para isso, é necessário ser o mais competitivo possível. Essas empresas estão percebendo que precisam investir; caso contrário, não conquistarão novos mercados e, em segundo lugar, a empresa do Brasil virá para Toronto e ocupará o mercado doméstico daqui. A pressão competitiva agora irá separar as empresas que sobreviverão das que não sobreviverão.

O Estado tem um papel importante nos investimentos para a inovação em muitos países, inclusive no Brasil. Qual é o limite para o envolvimento do Estado na inovação? O risco de falhar é justificável?

Quando eu estava no governo, nós lidávamos com esse dilema. Queremos correr riscos, mas, ao mesmo tempo, é muito difícil para o governo assumir riscos. É aqui que a visão política importa muito. Quando um chefe de Estado, como o nosso primeiro-ministro no Canadá, diz que devemos ser a economia mais competitiva, os formuladores de políticas ganham subitamente um pouco de espaço para definir o que é seguro fazer no campo da inovação. O risco trata-se de um risco inteligente ou calculado. Como alocar capital não para que o governo escolha todos os vencedores, mas para incentivar os agentes do setor privado a tomarem a decisão correta? Como construir sistemas de compras públicas para que o governo compre nacionalmente em vez de apenas adquirir de grandes multinacionais? Existem riscos muito inteligentes que o governo pode assumir para facilitar o crescimento de seus ecossistemas de inovação.

Como alinhar os interesses entre governo, academia e empresas para criar inovação sem ineficiências?

É necessário aceitar que, como haverá riscos, sempre existirá algum nível de ineficiência. Não existe um sistema perfeito. Porém, precisamos olhar para a ótica pública sobre inovação e investimento na economia da mesma forma que nossos amigos de Venture Capital fazem. Eles fazem inúmeras apostas e entendem que algumas serão perdidas. Deveríamos estar dispostos a aceitar que, ocasionalmente, não faremos os investimentos corretos ou que faremos investimentos ineficientes. Mas precisamos trabalhar para garantir que ao menos 90% sejam eficazes e que, no mínimo, estejamos criando a infraestrutura para que outros construam sobre ela.

Portanto, quando se fala da relação entre indústria, governo e academia, o foco real deve ser em como criar o 'tecido conectivo' entre esses agentes, em especial entre a academia e a indústria. O objetivo é que aquilo que nós, como sociedade, idealizamos e pagamos em forma de pesquisa tenha uma aplicação direta. Existem muitos exemplos ao redor do mundo, inclusive ótimos casos aqui no Canadá, onde unimos esses dois atores e o governo atua apenas como facilitador. O governo diz: 'Se vocês dois estão realizando algo juntos que é realmente produtivo e tem muito potencial, como podemos regar para que algo cresça ali?'.

Desde que o ChatGPT foi lançado, só se fala sobre IA. O sr. acredita que existe uma nova euforia e que ela tem embasamento real?

Uma parte de mim pensa que existe uma euforia e que talvez estejamos refletindo excessivamente sobre o assunto. No entanto, quando você observa a capacidade dessas novas ferramentas, percebe que este é um momento incrível na história, no qual, de repente, a máquina pode fazer quase tudo. Sob a perspectiva de políticas públicas, precisamos pensar com muito cuidado sobre como essas novas ferramentas de IA impactarão o mercado de trabalho.

Em muitas áreas, dissemos aos jovens: 'aprendam a programar' ou 'estudem para ser advogados'. Agora, vemos que a IA está absorvendo esses componentes da força de trabalho. Nesse sentido, precisamos levar o assunto muito a sério. Também precisamos refletir sobre quem está criando essas ferramentas. Hoje, cerca de 90% do investimento em startups de IA está concentrado em dois lugares: no Vale do Silício e na China. Para países como Canadá e Brasil, isso deve ser um ponto de interrogação. Queremos que todas as nossas ferramentas sejam construídas por essas multinacionais? Como criamos as nossas próprias? Precisamos criar ecossistemas vibrantes de startups de IA para que, mesmo que ocorra uma disrupção no mercado de trabalho, ainda detenhamos parte dos lucros para reinvestir em nossos sistemas sociais e de educação, garantindo a criação da próxima grande tecnologia após a IA.

O sr. acredita que algum país já tenha uma boa política para lidar com o impacto da IA no mercado de trabalho?

Na verdade, não. Todos estão tentando entender isso e há uma batalha entre otimistas e pessimistas. Na história econômica, sempre houve o receio de que a tecnologia substituísse o trabalho, mas fomos afortunados porque, durante 250 anos, sempre criamos novas formas e utilidades para o trabalho humano que superaram a tecnologia. Agora, pela primeira vez, precisamos pensar: onde estão essas novas fontes? Cada país está tentando descobrir como se reorientar caso advogados e engenheiros de software sejam substituídos por essas ferramentas. Quais são as habilidades necessárias para garantir que as pessoas continuem empregadas de forma produtiva? Fundamentalmente, do ponto de vista das políticas públicas, precisamos que as pessoas sejam felizes e prósperas; do contrário, todos enfrentaremos problemas. Todos estão correndo para resolver isso. Os franceses talvez estejam um pouco à frente, Cingapura também tem exemplos, mas todos ainda estão tentando entender o real impacto. Ao mesmo tempo, reitero: todos estão em uma corrida para dizer que, embora saibam que haverá disrupção, querem deter parte dela para que possam controlá-la.

O sr. acredita que o impacto da IA no mercado de trabalho será rápido? É muito comum, especialmente em grandes empresas, que a adoção de novas tecnologias seja mais lenta.

Tradicionalmente, esse é o caso. Porém, o que temos visto, particularmente com grandes empresas de tecnologia, é uma redução bastante significativa de pessoal em um período muito curto. Se você ler os jornais dos últimos meses, verá muitas empresas, tanto de tecnologia quanto de finanças, substituindo grandes parcelas de sua força de trabalho devido à adoção dessas novas ferramentas. Podemos estar em um ponto de inflexão na história econômica diferente dos anteriores. Por isso, a pressão sobre os formuladores de políticas é para que reajam rapidamente e trabalhem com as empresas para garantir o treinamento e programas de qualificação, educando as pessoas para que estejam sempre à frente dessa curva de disrupção tecnológica.

Mas o sr. acredita que essas demissões são realmente sobre a adoção da IA ou seriam também uma 'boa desculpa' para fazer cortes de equipes?

Se é uma desculpa ou não, o fato é que vivemos em uma sociedade capitalista onde as empresas têm um objetivo primordial que não muda há cem anos. No final das contas, parte dessas demissões está ligada ao desejo de maximizar lucros, e esse é o sistema em que vivemos. Como ou por que elas alcançam isso é algo que cabe aos conselhos de administração decidir.

O sr. acredita que exista algum emprego seguro para se proteger contra a IA?

Eu tenho dois filhos, de 6 e 4 anos, e penso nessa questão o tempo todo, imaginando o que posso fazer como pai por eles. Quais seriam os empregos protegidos? No Canadá, por muito tempo, as pessoas não queriam ingressar no que chamamos de ofícios qualificados, como eletricistas ou encanadores. Hoje, essa parcela da força de trabalho é excepcionalmente bem remunerada e respeitada, mas há pouca gente disponível. Portanto, há uma grande oportunidade ali. A outra questão é que acredito que, apesar da força e do poder da IA, ainda precisaremos de pessoas que consigam pensar além dela e que ajudem a projetar e limitar esses sistemas. É aqui que entra a expertise em pensamento estratégico real; não acredito que isso sairá de moda. O desafio é como criar sistemas educacionais, não apenas na universidade, mas começando no ensino fundamental, que formem uma população que realmente saiba pensar e fazer perguntas. Se tivermos ferramentas que fazem todas as coisas simples, precisaremos de pessoas que pensem criticamente sobre as sociedades e as políticas que desenhamos.

Voltando às startups, qual é a sua opinião sobre o nosso ecossistema aqui em São Paulo?

O ecossistema em São Paulo é excepcionalmente vibrante e, na verdade, estou muito impressionado com o Brasil como um todo. Estive em Natal no final do ano passado e conheço Florianópolis. Existem ecossistemas realmente excepcionais no Brasil, centrados em São Paulo por ser o maior, mas acredito que o mundo ainda não saiba muito sobre isso.

Quem está fora ainda pensa no Brasil como um lugar de praias agradáveis e natureza exuberante. Mudar essa narrativa para dizer que, na verdade, este é o lugar de onde virão as próximas grandes tecnologias e startups do mundo é o próximo capítulo para São Paulo e para o ecossistema brasileiro. Isso já está acontecendo, pois há uma empresa em particular agora levantando a bandeira brasileira e chegando à América do Norte, criando raízes. Isso abrirá os olhos das pessoas rapidamente. Em particular nas finanças, as empresas americanas e canadenses sempre se sentiram seguras. Agora, vamos aprender que as melhores tecnologias, especialmente em fintechs, vêm da América Latina. Seja o open banking no Uruguai ou as inovações no Brasil, o mundo está prestes a perceber o potencial que sai de São Paulo e da região.

Como empreendedor, qual é a sua opinião sobre a importância de um fundador de startup estar presente em eventos de inovação?

O tempo é o recurso mais precioso para todos nós, especialmente quando se está construindo um negócio. Eu fundei duas empresas, por isso, sei que o tempo é valioso. Como você o aloca entre construir, vender e fazer networking é uma escolha individual. Contudo, eventos como o São Paulo Innovation Week ou a Toronto Tech Week são locais onde você precisa estar para fazer contatos. Você precisa conhecer as pessoas que assinarão os cheques e encontrar clientes. Se você não consegue vender seu produto, pode ter a melhor tecnologia do mundo, mas se ninguém souber disso, não adianta.

O sr. também produziu alguns documentários sobre inovação ao redor do globo. O que o sr. aprendeu com essa experiência?

Nós filmamos uma série documental chamada Magnetic Cities em 18 países. A tese central dessa série foi o que eu chamo de 'todos em todos os lugares': pela primeira vez na história da humanidade, cada pessoa, em cada país, tem a possibilidade de subir na escada das oportunidades econômicas. Não se trata mais apenas de capital pesado ou de grandes infraestruturas. Agora, se você tiver um laptop, pode programar algo, construir um sistema, escrever um aplicativo e vendê-lo. É a primeira vez que todos, em qualquer lugar, têm essa capacidade de criar e comercializar algo.

Talvez, este seja um dos melhores momentos da história para esse tipo de oportunidade. É claro que ainda existem muitos desafios, dependendo de onde se nasce e de qual é a estrutura de políticas públicas local. Mas essa oportunidade é uma nova realidade imensa. Ao mesmo tempo, representa tanto uma chance quanto um desafio para todos os outros. Se você está no Canadá agora, nós temos um mundo de novos competidores construindo as mesmas ferramentas e tecnologias nas quais antes pensávamos ser os melhores. Portanto, nós precisamos entender de onde essas pessoas vêm e compreender melhor o que elas estão construindo. Neste mundo altamente competitivo, precisamos ser muito melhores em prospectar e aprender o que está acontecendo. Isso se tornou mais difícil, mas, simultaneamente, há muito mais oportunidades hoje do que há 15 anos.

Estadão
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