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Lula 3 estimulou consumo como política econômica em momento de endividamento em alta; veja frases

Presidente entende consumo como 'motor do crescimento' da economia e o crédito como forma de acesso das famílias a produtos mais caros; governo diz que presidente ressalta tomada de crédito com responsabilidade

26 abr 2026 - 05h41
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BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez pelo menos 13 pronunciamentos públicos em seu terceiro mandato estimulando o consumo das famílias ou a tomada de crédito para fazer "a roda da economia girar", segundo levantamento feito pelo Estadão.

O endividamento recorde é agora uma das principais dores de cabeça da campanha do presidente para o pleito de outubro, no qual tentará a reeleição.

Procurado, o governo afirmou que, ao mesmo tempo que defende o fortalecimento do mercado interno como motor do crescimento, Lula ressalta sistematicamente que o acesso ao crédito deve ocorrer com responsabilidade.

"Não se trata de estímulo ao consumo, mas de promover inclusão econômica com responsabilidade, em que o crescimento se dá com base em consumo sustentável, acesso consciente ao crédito, com condições mais justas e equilíbrio nas finanças", diz a nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (leia mais abaixo).

Nesta semana, o governo prepara o anúncio de uma nova rodada de medidas para reduzir o endividamento, após uma série de outros programas anunciados neste mandato, como o Desenrola, para renegociação de dívidas, o Acredita, com crédito para MEIs, Micro e Pequenas Empresas, e o Crédito do Trabalhador, que tentou diminuir juros do consignado privado.

Ainda na campanha eleitoral de 2022, durante sabatina no Jornal Nacional da TV Globo em agosto, Lula afirmou que 70% dos brasileiros estavam endividados e que o governo iria "negociar essa dívida".

"Nós temos quase que 70% das famílias brasileiras endividadas, e a grande maioria delas é mulher: 22% endividadas porque não podem pagar a conta d'água, a conta de luz, a conta do gás. Nós vamos negociar essa dívida", afirmou Lula, emendando na famosa frase de que o brasileiro voltaria a comer picanha. "O povo, eu digo sempre, o povo tem que voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha."

Passados quase quatro anos da promessa, o porcentual medido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) chegou a 80,4% em março deste ano. No discurso de posse, no dia 1º de janeiro de 2023, o presidente afirmou que a "roda da economia vai voltar a girar e o consumo popular terá papel central neste processo."

O governo culpa a alta da taxa básica de juros, a Selic, que permaneceu em 15% ao ano por quase um ano, e na última reunião do Copom e teve uma pequena queda de 0,25 ponto porcentual. Os juros subiram porque a inflação ficou acima do teto da meta, o que também contribuiu para corroer a renda das famílias.

Especialistas também enxergam um viés de estímulo ao consumo em medidas como a política de valorização contínua do salário mínimo, que tende a aumentar salários acima dos ganhos de produtividade, e da isenção de Imposto de Renda até R$ 5 mil em ano eleitoral - embora essa proposta ajude a diminuir a regressividade tributária do País (distribuição desigual da carga em relação à faixa de renda).

Veja abaixo uma cronologia de declarações do presidente sobre consumo e tomada de crédito:

Em seu discurso de posse no Congresso Nacional, Lula afirmou que o consumo teria papel central no crescimento econômico, citando também a política de valorização do salário mínimo.

"A roda da economia vai voltar a girar e o consumo popular terá papel central neste processo. Vamos retomar a política de valorização permanente do salário mínimo", afirmou.

Durante o programa Conversa com o Presidente, transmitido de Bruxelas, na Bélgica, Lula afirmou que o programa Desenrola iria "libertar milhões de brasileiros" para o consumo.

"Acho que o Desenrola vai ajudar o povo brasileiro. Vamos libertar milhões de brasileiros que vão poder voltar ao consumo livremente, alegre, sorrindo, podendo comprar aquela coisinha que ele sonha comprar."

Em discurso no sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lula afirmou que o trabalhador precisa ter o direito de comprar o que produz.

"A gente trabalha porque a gente tem que ter o direito de comprar aquilo que nós produzimos. Se nós produzimos carro, nós queremos carro. Se nós produzimos computador, nós queremos computador."

Em entrevista à Rede TV, Lula afirmou que as pessoas iriam começar a comprar por causa do programa de crédito consignado privado.

"As pessoas vão começar a comprar, é só você pegar a questão de crédito. Nós vamos anunciar crédito consignado para o conjunto da classe trabalhadora brasileira. são mais de 40 milhões de pessoas que vão ter acesso ao consignado."

Em cerimônia no Planalto durante lançamento do programa Acredita, Lula afirmou que o crédito é "imprescindível" para a sociedade se desenvolver.

"Não tem nada mais imprescindível para uma sociedade se desenvolver se ela não tiver crédito. Nós estamos criando as condições para que as pessoas tenham o direito de ter acesso ao sistema financeiro e pegar um crédito."

No programa Bom dia Presidente, transmitido pela EBC, Lula fez um balanço da economia e afirmou que o governo havia anunciado a maior política de crédito da história do Brasil.

"Nós anunciamos a maior política de crédito que esse País já ouviu. Nunca antes na história do Brasil foi anunciada uma política de crédito com a magnitude que nós anunciamos. É crédito até para um pequeno e médio catador de material reciclável na rua."

Em entrevista à Rádio Difusora de Goiânia (GO), Lula disse que consumo gera riqueza.

"Eu defendo o consumo porque somente com o consumo é que vai ter industrialização. Somente quando o povo tiver o direito de comprar, puder se vestir bem e se calçar bem, ele vai comer melhor, vai ter uma geladeira… é isso que gera consumo, é isso que gera riqueza", disse.

"Quando o povo tem possibilidade de consumir, a economia dá certo. E é isso o que está acontecendo no Brasil", completou.

Em São Paulo, durante o evento "Acredite no seu Negócio", Lula afirmou que o governo estava criando uma política de crédito para os empreendedores e pessoas que queriam trabalhar por conta própria.

"Estamos criando uma política de crédito para fazer esse País dar um salto de qualidade. As pessoas querem trabalhar por conta própria, querem ser empreendedoras, querem montar um comércio, uma agência de turismo, fazer um instituto de beleza".

Em entrevista aos senadores Jorge Kajuru e Leila Barros, no programa Podk Liberados, da Rede TV, Lula afirmou que, com "o povo comprando, a economia vai para frente".

"Quando o salário mínimo cresce, é dinheiro distribuído, é gente consumindo mais, comércio vendendo, fábrica fabricando, povo comprando e a economia vai em frente", disse. "Veja quantas pessoas estavam andando de avião e quantas estão agora. Quanto era o salário mínimo e quanto é agora."

Em cerimônia de assinatura da Medida Provisória que criou o programa Crédito do Trabalhador, Lula pediu que dirigentes sindicais usassem "carro de som" para avisar os trabalhadores que eles poderiam pegar "crédito barato".

"Os dirigentes sindicais que estão aqui têm que pegar um carro de som e ir para a porta da fábrica e dizer para os trabalhadores que agora eles podem ter crédito barato para que possam sair do endividamento em que se meteram, sair da mão do agiota, sair da mão de banco, que cobra 10%, 12% de juros, sair e procurar o crédito mais barato que puderem encontrar", disse. "É exatamente a capacidade de consumo que tem o povo que pode gerar a capacidade de industrialização."

Em discurso na França, Lula afirmou que quer "dinheiro na mão do povo para ele que ele possa ter crédito":

"Eu quero o dinheiro na mão do povo, para que ele possa ter crédito. Dinheiro na mão das pequenas mulheres empreendedoras. Esse dinheiro gera empregos e tem um retorno imediato. Esse é o sucesso da economia brasileira", afirmou Lula.

No lançamento do Plano Safra, em cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que os pobres precisam se tornar consumidores para comprar televisão, computadores e carros novos.

"Quando os pobres melhoram, o País melhora. (...) Eles vão se tornar mais consumidores, vão comprar mais coisas, mais comida, mais roupa, mais máquinas, mais televisão, mais computadores, vão viajar, vão comprar carros novos."

Em inauguração da fábrica de carros da GM em Horizonte, no Ceará, Lula reforçou o estímulo ao mercado interno como forma de alavancar a economia.

"O Brasil tem um mercado interno muito grande e o que precisamos é produzir carro para vender para o povo brasileiro", disse.

"Primeiro temos que garantir que o povo brasileiro tenha o direito de andar em um carro bonito."

O que diz o governo Lula

As falas do presidente sobre o tema precisam ser compreendidas em seu contexto completo. Ao mesmo tempo em que defende o fortalecimento do mercado interno como motor do crescimento econômico, ele ressalta sistematicamente que o acesso ao crédito deve ocorrer com responsabilidade. Essa posição é recorrente e, em diversas ocasiões, ele cita inclusive um ensinamento pessoal de sua mãe, Dona Lindu: "não gastar mais do que ganha".

Cabe lembrar ainda que o presidente tem manifestado, de forma reiterada, preocupação com o nível de endividamento da população brasileira. Nesse sentido, o Governo do Brasil tem adotado medidas concretas, como o programa Desenrola Brasil, para ajudar os brasileiros a renegociar dívidas, recuperar o crédito e reorganizar sua vida financeira.

Portanto, não se trata de estímulo ao consumo, mas de promover inclusão econômica com responsabilidade, em que o crescimento se dá com base em consumo sustentável, acesso consciente ao crédito, com condições mais justas, e equilíbrio nas finanças.

Estadão
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