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Estados da UE apoiam acordo comercial com Mercosul após 25 anos de negociações

9 jan 2026 - 13h55
(atualizado às 15h06)
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Os Estados da União Europeia deram sinal verde nesta sexta-feira para que o bloco assine seu maior acordo de livre comércio com o Mercosul, mais de 25 anos após o início das negociações, depois de meses de disputa para garantir apoio suficiente.

Com o presidente dos EUA, Donald Trump, abalando o comércio global, a Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha argumentam que o acordo ajudará a compensar as ‌perdas comerciais causadas pelas tarifas de importação dos EUA e reduzirá a dependência da China, garantindo o acesso a minerais essenciais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou a liberação da UE como ‌um "dia histórico para o multilateralismo".

"Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos", disse Lula no X.

Os oponentes, liderados pela França, o maior produtor agrícola da União Europeia, afirmam que o acordo aumentará as importações de produtos alimentícios baratos, incluindo carne bovina, aves e açúcar, prejudicando os agricultores nacionais.

AGRICULTORES MARCHAM E BLOQUEIAM RODOVIAS

Os agricultores lançaram protestos em toda a UE, bloqueando rodovias na França e na Bélgica e marchando na Polônia nesta sexta-feira.

A França votou contra ‍o acordo -- mas uma maioria suficiente de membros da UE apoiou o acordo.

Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia disseram que 21 países apoiaram o acordo, com Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia contra e a Bélgica se abstendo. Para a aprovação, era necessário um mínimo de 15 países, representando 65% da população total do bloco.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, saudou a votação desta sexta-feira como um "marco" e disse que o acordo será bom para a Alemanha e para a Europa.

"Mas 25 anos de ‌negociações é tempo demais. É vital que os próximos acordos de livre comércio sejam concluídos rapidamente", disse ele em um comunicado.

A aprovação abre ‌caminho para que a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, assine o acordo com os parceiros do Mercosul -- Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai -- em Assunção. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina informou que a cerimônia de assinatura será realizada em 17 de janeiro.

O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo, finalmente concluído há um ano, antes que ele possa entrar em vigor.

FRANÇA DIZ QUE A BATALHA AINDA NÃO TERMINOU

O acordo de livre comércio deverá ser o maior da União Europeia em termos de redução de tarifas, removendo 4 bilhões de euros de impostos sobre suas exportações. Os países do Mercosul têm tarifas altas, como 35% sobre peças de automóveis, 28% sobre produtos lácteos e 27% sobre vinhos.

A UE e o Mercosul esperam expandir o comércio de mercadorias divididas igualmente no valor de 111 bilhões de euros em 2024. As exportações da UE são dominadas por maquinário, produtos químicos e equipamentos de transporte, enquanto as do Mercosul se concentram em produtos agrícolas, minerais, celulose e papel.

Para conquistar os céticos em relação ao acordo, a Comissão Europeia implementou salvaguardas que podem suspender as importações de produtos agrícolas sensíveis. Fortaleceu os controles de importação, principalmente em relação aos resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise, acelerou o apoio aos agricultores e se comprometeu a reduzir as taxas de importação de fertilizantes.

As concessões não foram suficientes para convencer a Polônia ou a França, mas a Itália passou de um "não" em dezembro para um "sim" nesta sexta-feira, alterando o equilíbrio geral.

"Parece-me que o equilíbrio encontrado é sustentável", disse a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em uma coletiva de imprensa.

Mathilde Panot, chefe do partido de extrema-esquerda França Insubmissa na câmara baixa, disse no X que a França havia sido "humilhada" por Bruxelas e no cenário mundial.

Os partidos franceses de extrema-direita e de extrema-esquerda estão prontos para lançar moções de desconfiança no governo sobre a provável aprovação.

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, disse que a batalha ainda não terminou e prometeu lutar pela rejeição na assembleia da UE, onde a votação poderá ser apertada. Grupos ambientalistas europeus também ‌se opõem ao acordo, afirmando que as commodities enviadas para a Europa geralmente virão de terras desmatadas.

"A simples verdade é que esse acordo impopular é um desastre para a floresta amazônica e nenhum deputado progressista comprometido com a proteção da floresta deveria apoiá-lo", disse Lis Cunha, ativista do Greenpeace na UE.

O social-democrata alemão Bernd Lange, presidente do Comitê de Comércio do Parlamento, expressou confiança de que o acordo será aprovado, com uma votação final provavelmente em abril ou maio.

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