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Diversidade tem de ser aliada da inclusão, dizem especialistas em ESG

Especialistas defendem que ambientes com pessoas que se sintam valorizadas são a chave para que pluralidade gere resultados para empresas

21 ago 2025 - 13h13
(atualizado às 13h21)
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ESPECIAL PARA O ESTADÃO - A inclusão e a representação de uma ampla gama de características humanas, culturais, e sociais dentro de organizações e empresas não pode ser apenas uma sigla dentro do conceito de ESG (sigla, em inglês, para Environmental, Social and Governance ou Ambiental, Social e Governança, em tradução livre). E a diversidade só gera resultados quando vem acompanhada de inclusão. Esse foi um dos temas debatidos no painel Novos Tempos e a Diversidade, no Estadão Summit ESG 2025, realizado em São Paulo nesta quinta-feira, 21.

Da dir. para esq: Karla Spotorno, mediadora, Aline Nascimento, especialista em DE&I e ESG, Cris Kerr, CKZ Diversidade, e Tom Mendes, diretor institucional do ID_BR, no Summit ESG 2025, em São Paulo
Da dir. para esq: Karla Spotorno, mediadora, Aline Nascimento, especialista em DE&I e ESG, Cris Kerr, CKZ Diversidade, e Tom Mendes, diretor institucional do ID_BR, no Summit ESG 2025, em São Paulo
Foto: Helcio Nagamine/Estadão / Estadão

Na avaliação de Cris Kerr, especialista em diversidade, consultora, CEO e fundadora da CKZ Diversidade, "sem inclusão, a diversidade não funciona". "Um colaborador pode estar presente, mas, ao não se sentir à vontade, ele deixa de compartilhar suas ideias em uma reunião, por exemplo. Por isso, criar um ambiente aberto, seguro e receptivo é indispensável para que a diversidade realmente funcione e contribua para a inovação", afirmou.

A especialista destaca que a diversidade é um conceito amplo que envolve gênero, raça, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, gerações, religião e corpo. "Também inclui a diversidade cognitiva, fundamental para a inovação, já que não há avanço sem mentes diferentes contribuindo com ideias variadas", explicou.

Nas empresas, ela afirma que é importante garantir um ambiente em que as pessoas se sintam pertencentes, valorizadas e respeitadas, podendo ser quem realmente são. "Pesquisas recentes mostram que apenas contratar profissionais diversos não gera resultados se eles não tiverem espaço para se expressar", disse.

Segundo Cris, apesar de algumas empresas nos Estados Unidos terem aderido à cultura anti-woke, na Europa o cenário é distinto: muitas companhias têm puxado a pauta da diversidade, em grande parte porque há metas claras estabelecidas. No Japão, ela afirma que existe uma exigência de que 30% dos cargos sejam ocupados por mulheres. "Essas iniciativas em diferentes regiões mostram que a agenda está avançando em outros lugares, o que também fortalece o debate no Brasil", disse.

Para Aline Nascimento, especialista em DE&I e ESG, o impacto do anti-woke sempre esteve presente. "Todas as organizações e todos que trabalham com diversidade e inclusão sabem que a resistência em avançar na prática sempre existiu. Se olharmos em perspectiva histórica, veremos que o debate sobre gênero circula no mundo desde a década de 1970, enquanto aqui a estruturação de políticas e práticas voltadas à diversidade é muito mais recente. Por isso, ainda é comum ouvir pessoas dizerem que falar de gênero ou de raça é novidade, quando, na verdade, esses debates já avançam há décadas em outros lugares do mundo", afirmou.

Na opinião dela, quando as pessoas não compreendem exatamente como colocar a diversidade em prática, correm o risco de afastá-la do próprio negócio. "Todas as organizações são feitas de pessoas, e é nessa multiplicidade de opiniões, experiências e vivências sociais que encontramos as soluções", disse.

Tom Mendes, diretor institucional do ID_BR e do Prêmio Sim à Igualdade Racial, lembrou que mais de 50% população brasileira é negra e destacou que as empresas não podem desconsiderar estes números. "Se não desenvolvemos produtos e não consideramos a diversidade e a inclusão nesse processo, estamos deixando de atender a maioria da sociedade e, do ponto de vista econômico e financeiro, isso não faz sentido", afirmou.

Segundo ele, existem diversos exemplos, especialmente entre multinacionais, que mudaram a forma de tratar a diversidade. "Em muitos casos, a área dedicada ao tema deixou de existir de forma isolada e passou a estar distribuída por diferentes setores da empresa, o que tem se mostrado uma estratégia eficaz", afirmou.

Mudanças climáticas estão cada vez mais evidentes

As mudanças climáticas estão cada vez mais evidentes e provocam impactos preocupantes em todo o mundo. "Os cientistas advertiram durante décadas, a humanidade demorou a agir e agora enfrenta consequências cada vez mais violentas, no mundo todo e também localmente", afirmou José Renato Nalini, secretário executivo de Mudanças Climáticas da Prefeitura de São Paulo.

Segundo ele, o que antes era chamado de mudança climática passou a ser tratado como emergência climática e, hoje, já há quem defina a situação como um "verdadeiro cataclismo".

Na cidade de São Paulo, Nalini afirma que os desafios climáticos se manifestam de forma distinta do restante do país. Enquanto o Brasil tem no desmatamento e na ocupação irregular do solo seus maiores vilões, a capital paulista enfrenta alguns problemas centrais.

Um dos principais é o transporte. "A cidade foi estruturada para servir aos automóveis, e não às pessoas. Com cerca de oito milhões de veículos circulando ininterruptamente, mesmo os modelos flex ainda utilizam majoritariamente gasolina. Isso contraria compromissos assumidos no Acordo de Paris, já que o setor de transportes responde por mais de 60% das emissões na capital", disse.

Secretário executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, José Renato Nalini, em discurso no Summit ESG 2025, em São Paulo; Humanidade demorou a agir'
Secretário executivo de Mudanças Climáticas da cidade de São Paulo, José Renato Nalini, em discurso no Summit ESG 2025, em São Paulo; Humanidade demorou a agir'
Foto: Helcio Nagamine/Estadão / Estadão

Outro problema da cidade é a produção excessiva de resíduos sólidos, já que São Paulo gera cerca de 15 mil toneladas por dia. "Apenas 3% desse volume é reciclado, pois a população não separa corretamente o lixo orgânico - que poderia virar compostagem, fertilizante ou biometano - dos materiais recicláveis. A pouca reciclagem que existe é fruto do trabalho de catadores, frequentemente marginalizados e hostilizados, mas fundamentais para a redução do impacto ambiental", afirmou.

O secretário diz que pequenos gestos podem contribuir para mudanças maiores: optar pelo etanol em vez da gasolina, reduzir o consumo e o desperdício e plantar árvores, por exemplo. "A arborização é considerada a principal tecnologia disponível para amenizar o clima urbano. Ondas de calor, cada vez mais frequentes, já matam mais do que as de frio", afirmou.

De acordo com Nalini, neste ano, a meta é plantar 120 mil árvores em São Paulo. "Com a proximidade da COP-30, o chamado é para que todos participem - famílias, escolas, igrejas, sindicatos e empresas. A ideia é transformar cada ação em um compromisso coletivo com a salvação da humanidade. Afinal, não se trata da sobrevivência do planeta, que seguirá existindo, mas da permanência da espécie humana, ameaçada por escolhas insensatas, gananciosas e consumistas", alerta.

Mundo hoje tem um cenário contraditório

Durante discurso de abertura do evento, Eurípedes Alcântara, diretor de Jornalismo do Estadão, afirmou que o mundo vive um cenário contraditório. "De um lado, líderes políticos que consideram o ESG uma moda irritante, um obstáculo. De outro, investidores, reguladores e consumidores, exigindo transparência, diversidade, direitos humanos e ações efetivas contra as mudanças climáticas", afirmou.

Eurípedes Alcântara, diretor de Jornalismo do Estadão, durante o Summit ESG 2025, em São Paulo; uso 'superficial' da sigla ESG 'morreu'
Eurípedes Alcântara, diretor de Jornalismo do Estadão, durante o Summit ESG 2025, em São Paulo; uso 'superficial' da sigla ESG 'morreu'
Foto: Helcio Nagamine/Estadão / Estadão

Alcântara destacou também que essa tensão é saudável e traz algumas vantagens: expõe fraudes e modismos, estimula políticas mais consistentes e contribui para a evolução natural do conceito de ESG.

Segundo ele, não se deve acreditar em manchetes que decretam a morte do ESG. "O que morreu foi o uso superficial da sigla, restrito a selos fáceis e discursos vazios. Os princípios centrais: preservar o meio ambiente, tratar as pessoas com dignidade e governar com integridade, seguem tão urgentes quanto sempre foram", afirmou.

Estadão
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