Empresariado projeta ambiente de negócios mais favorável após resultados do 1º turno
A leitura predominante é de que mais nomes de direita no Congresso e favoritismo de Flávio abrem caminho para equilibrar contas públicas e acelerar queda dos juros
Líderes empresariais demonstram otimismo com o avanço da direita no Congresso e o favoritismo de Flávio Bolsonaro contra Lula na corrida presidencial. O setor projeta um ambiente favorável ao reequilíbrio fiscal, queda dos juros, desregulamentação e atração de investimentos. Enquanto entidades cobram debates no segundo turno e combate a fraudes, áreas como a construção civil esperam a manutenção de programas consolidados, como o Minha Casa, Minha Vida, independentemente de quem vencer.
Líderes de empresas de diferentes setores se dizem otimistas com a eleição de mais nomes de direita para o Congresso e com o favoritismo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da corrida presidencial.
A leitura predominante é de que essa composição aproxima o País de medidas para o reequilíbrio das contas públicas e abre caminho para uma queda mais acentuada dos juros básicos da economia brasileira. Se confirmada, a redução acelerada da taxa Selic ajudará a dar um alívio no custo das dívidas que têm exaurido os balanços empresariais.
Além disso, esperam um ambiente mais favorável no Congresso para tratar de pautas sobre redução da burocracia, dos impostos e da carga regulatória. Por outro lado, cobram dos candidatos engajamento nos debates para expor suas propostas aos eleitores.
Para o CEO da AlphaKey Capital Management, Christian Keleti, uma eventual vitória de Flávio pode reabrir a janela para ofertas subsequentes de ações (follow-ons) de companhias que aguardavam melhora do ambiente para atrair recursos de investidores, mas não encontraram abertura para isso nos últimos anos.
"Vamos ver muitos follow-ons de empresas que estão precisando levantar recursos, de fundos de private equity que querem sair de posições e do fim de período de lockup (de proibição de venda de ações)", prevê.
As manifestações vindas de diferentes setores
O presidente da Conexis, representante das grandes operadoras de internet, Marcos Ferrari, disse que as empresas devem encontrar um terreno mais favorável para trabalhar no Congresso pautas que envolvam liberdade econômica, como menos regras e obrigações regulatórias. "Podemos ter um terreno mais propício a essa avaliação com a formação que saiu das eleições", declarou, referindo-se à eleição de parlamentares de direita.
Para a presidente executiva da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), Josiani Napolitano, a nova composição do Congresso abrirá uma nova etapa de diálogo para o setor. "Vamos nos aproximar dos novos parlamentares e fortalecer o relacionamento com os reeleitos para dar continuidade às pautas do biogás e do biometano", afirma.
Já o presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Mario Menel, diz ter observado "vários e bons nomes" de parlamentares que costumam dar atenção aos assuntos do setor elétrico, embora tenha lamentado ausências de alguns candidatos que não conseguiram se reeleger.
"Os novos, vamos ter que mapear para ver quais são aqueles que têm mais afinidade, maior interesse em participar das ações do setor elétrico e fazer um trabalho de aproximação", comenta.
A expectativa com a realização de debates
Há também uma expectativa do empresariado de que os candidatos participem dos debates para o segundo turno da corrida eleitoral, algo que faltou a Flávio e Lula no primeiro turno. "Isso poderia ter sido melhor. O debate era importante no primeiro turno para sinalizar ao País a direção que cada candidato estava tomando. Mas vimos um processo bastante disputado. Esperamos ter um debate para entendermos melhor as propostas dos candidatos no segundo turno", diz Ferrari, da Conexis.
No setor de combustíveis, o Instituto Combustível Legal (ICL) defende que o próximo ciclo de governo seja usado para consolidar e ampliar o combate ao crime organizado, adulterações e fraudes. O presidente do ICL, Emerson Kapaz, afirma que a pauta exige "continuidade, integração e instrumentos modernos de fiscalização", pedindo prioridade com "equilíbrio, segurança jurídica e foco permanente na proteção do consumidor".
Entre as medidas, o instituto cita fortalecer a atuação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ampliar ferramentas de rastreabilidade e estimular a troca de informações entre União, estados e municípios, preservando a concorrência leal.
Para a construção civil, contudo, a expectativa é de continuidade de políticas-chave independentemente do vencedor. O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, afirma que os investimentos em habitação social devem ser mantidos.
"Como setor, nos reunimos com os candidatos. Nas conversas, destacamos a importância do Minha Casa, Minha Vida e da habitação para o Brasil. E todos falaram em continuidade do programa. Não se fala nada diferente disso", relata. Para França, o Minha Casa, Minha Vida, em vigor desde 2009, está consolidado. "Já não é mais um programa de governo, mas de país."
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.