Empresária e influenciadora, Mica Rocha avalia trajetória: "Meus fracassos me deixaram mais segura"
Dona de duas marcas de sucesso, Mica estreia programa sobre empreendedorismo feminino na CNN Brasil, o 'MiConta'
Um dos principais desafios para o empreendedorismo feminino é o medo. Segundo o levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) e o Movimento Aladas, em 2022, 24 milhões de mulheres brasileiras gostariam de empreender, mas 43% não o faziam por medo de falhar.
Os motivos são variados: falta de apoio, dupla jornada de trabalho, receio em abrir mão da segurança oferecida pela CLT, entre outros. Mas esse sentimento não se restringe a mulheres comuns. Até mesmo Mica Rocha, herdeira das lojas Riachuelo e que tem em casa o exemplo de um negócio bem sucedido, já encarou a insegurança antes de construir duas marcas de sucesso em sua carreira como empresária e influenciadora digital.
A resiliência e segurança, segundo ela, foram construídas justamente a partir dos seus 'fracassos'.
"Sabe o que me deixou mais segura? Os meus fracassos. Com eles, eu descobri que não iria morrer. Eles mostraram que eu podia fechar um negócio, fechar uma porta que não deu certo, mas isso não me definia como pessoa", contou, em entrevista ao Terra.
Formada em Publicidade e Propaganda pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Mica despontou na cena digital produzindo conteúdo para marcas e para o site We Pick. De lá para cá, se passaram 13 anos de diferentes projetos e livros de sucesso, além de três filhos. Hoje com 37 anos, ela é diretora criativa da brand de acessórios Misha, diretora de Marketing da Open Era, marca de athleisure, e nova apresentadora da CNN Brasil.
Receita para o sucesso?
No bate-papo com o Terra, ela ressalta que não acredita em um caminho linear para um empreendimento ter sucesso, mas "estruturar a ideia" é fundamental. Como fazer isso?
"Conte a sua ideia dentro da sua comunidade de pessoas, família ou amigos. Fale o porquê você pensou nesse negócio, veja se as pessoas têm esse mesmo entendimento que você tem sobre o tema. Tudo isso vai te ajudar a estruturar a sua ideia. É importante dividir", orienta.
Compartilhar é algo que ela já costuma fazer com os seus mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais. Mica não fala apenas dos seus sucessos como empreendedora, mas também dos erros. Ela cham isso de "humanizar o empreendedorismo".
"Sou uma pessoa que humaniza o meu empreendedorismo. 'Não deu muito certo', 'Eu fechei essa marca', 'Dei esse passo que não deu certo na minha carreira', 'Abriu uma janela muito positiva e que eu não imaginava'... Gosto de abrir o que não deu certo para as pessoas. Por isso, elas também costumam me contar os seus perrengues", explica.
A empresária, então, relembra uma de suas apostas que não deu certo. A marca de sapatos veganos chamada Margaux. "Às vezes a pessoa pensa: 'Ninguém está fazendo isso'. E às vezes há um motivo para ninguém fazer isso", relembra, aos risos.
"Foi o que aconteceu com o meu primeiro empreendimento, quando fiz sapatos com um lock [um tipo de broche removível]. Eles tinham um mecanismo em cima do sapato que permitia a troca dos locks. Mas nem os grandes players estavam fazendo aquilo, porque era difícil e dificultava a mão de obra", explica.
Estreia na CNN Brasil
Mica estreou como apresentadora da CNN Brasil à frente do MiConta no último dia 13 de agosto. O programa, exibido todos os domingos às 19h15, coloca o empreendedorismo feminino no centro de entrevistas com mulheres que compartilham os desafios de suas jornadas no mundo dos negócios.
"Eu quero saber de perrengue, da trajetória, do que foi difícil. Quais coisas não deram certo? O que deu certo? Mas o que deu muito errado para dar certo? Porque eu entendo que o empreendedor é uma pessoa obcecada e apaixonada pelo seu negócio", explica.
A curiosidade em torno dos fracassos é uma característica de Mica, que enxerga o potencial de resiliência e força das empreendedoras diante das adversidades.
"Eu gosto de falar dos fracassos que ocorreram até você obter um sucesso. Como foi essa trajetória, esse caminho? E aí você tira dessas mulheres histórias de resiliência, de muita força. É muito bonito de escutar [...] Precisamos falar sobre mulheres empreendedoras, contar essas histórias, porque isso inspira outras mulheres a empreender", acrescenta.