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Duzentos anos de relações bilaterais se esvaem com uma canetada; impacto econômico será substancial

Nova ofensiva de Trump contra o Brasil ameaça relações e setores estratégicos

9 jul 2025 - 19h21
(atualizado às 23h36)
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Desta vez, o alvo de um movimento impulsivo é o Brasil. O anúncio de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA e a abertura de uma investigação da Seção 301 — utilizada para combater práticas comerciais desleais, frequentemente atribuídas à China — colocam o Brasil em uma posição difícil, num ano pré-eleitoral.

Na carta administração, além das pesadas tarifas, qualquer reação brasileira acarretará uma sobretaxa adicional de 50%, enquanto empresas brasileiras que decidam transferir rapidamente suas operações para solo americano serão "generosamente recebidas".

Contraditoriamente, ainda diz ser mal-tratado pelo Brasil (um dos poucos países com quem os EUA têm superavit comercial).

O impacto econômico para o Brasil será substancial, principalmente em setores estratégicos, como aço e metais. Essas áreas já enfrentam um cenário complicado de concorrência internacional, e agora terão de lidar com uma barreira intransponível no seu principal mercado externo. Ao mesmo tempo, nos EUA, muitas empresas que dependem da eficiência das cadeias produtivas brasileiras (como automotivo, equipamentos e máquinas agrícolas) sentirão a pressão de custos mais altos e imprevisibilidade de fornecimento.

No campo político interno, o grupo de Bolsonaro acabará se prejudicando eleitoralmente. Próximo das eleições, serão responsabilizados pelas consequências econômicas dessas medidas, após anos de alinhamento explícito com a administração trumpista. O desgaste será inevitável, e o Judiciário brasileiro, independente e crítico, pode endurecer seu escrutínio contra a extrema-direita e contra as big techs — igualmente citadas na carta de Trump.

No plano das relações externas, a hostilidade de Trump reforça o discurso sul-sul. Críticas à imprevisibilidade e ao unilateralismo ganham força, ampliando o sentimento antiamericano e impulsionando discursos políticos clamando afastamento dos EUA. Será recordado o exemplo recente do Canadá, que obteve mudança eleitoral em razão das políticas comerciais erráticas de Trump. Muitas vozes defenderão uma mudança na Casa Branca como condição para restabelecer um diálogo racional.

O Brasil terá algumas decisões a tomar. A negociação diplomática, embora provável, tende a ser inócua diante da agressividade da medida. A busca por mercados alternativos é provável, mas os resultados só virão no longo prazo, sem aliviar os efeitos econômicos imediatos. Uma escalada retórica é possível e agradará internamente, mas terá pouco efeito prático, além do desgaste no médio prazo.

Uma alternativa, possível, mas complexa, seria aplicar a Lei de Reciprocidade contra serviços e propriedade intelectual norte-americanos, atingindo setores estratégicos para os EUA, como empresas farmacêuticas e plataformas digitais. Tal ameaça seguramente chamaria a atenção de Washington (como ocorreu no Caso do Algodão), e testaria a hipótese TACO ("Trump Always Chickens Out").

Fato é que, com uma única canetada, Trump coloca em risco mais de 200 anos de relações bilaterais produtivas, em geral marcadas por cooperação e diálogo. A medida pode infligir danos profundos e duradouros, não apenas econômicos, mas também geopolíticos e institucionais.

Estadão
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