Durigan diz que dívida é tema que 'machuca e incomoda', mas que situação pode melhorar em até 5 anos
Secretário executivo da Fazenda enfatizou a relevância de uma transição harmônica no governo federal para alcançar uma situação de dívida melhor
RIO - O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira, 1º, que o tema da dívida incomoda o governo. Ele avalia, porém, que é possível ter uma "situação de dívida" pública melhor no Brasil num horizonte de cinco anos.
"O tema da dívida é um tema grande e um tema que nos machuca, nos incomoda", disse. "Com essa taxa de juros, teria que fazer um resultado primário (saldo entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida) que não é hoje viável, não é factível", afirmou ele em seminário na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.
"No ano que vem, se a gente tiver continuidade ou mesmo transição, que a gente consiga mostrar o que foi feito e que precisa seguir nesse caminho - com a área fiscal respeitada, com o controle de gasto, com o cuidado na recomposição fiscal -, com certeza, em um período de até cinco anos a gente consegue ter uma situação da dívida melhor."
O secretário executivo enfatizou a relevância de uma transição harmônica no governo federal para alcançar uma situação de dívida melhor. "[O país pode conseguir uma situação de dívida melhor em cinco anos] se a gente tiver uma eleição do ano que vem, diferente do que foi em 2022, pois naquele ano não teve transição, teve um caos no País."
O secretário enfatizou que o controle do endividamento demanda ajustes no Orçamento e indicou a necessidade de juros mais baixos para haver "mais normalidade institucional".
"Não é trabalho pra uma canetada. Demanda que você vá ajustando o Orçamento, faça superávit, que você melhore a situação do País, os juros caiam, que a gente tenha mais normalidade institucional", disse. "Não adianta fazer esforço e ter quebradeira. Precisa de gradualismo para termos uma situação diferente."
Durigan disse que o Brasil tem um "bom caminho" se conseguir retomar o grau de investimento e evitar o déficit primário e o alto volume de precatórios (dívidas judiciais do governo) e outros gastos.
"Se conseguirmos grau de investimento e tampando, não tendo mais déficit primário, com tanto precatório e outros gastos na conta, para ir pagando essa conta, revisando o gasto, acho que nós temos um bom caminho."