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Durigan culpa juros por aumento da dívida e diz que governo não discute desvincular salário mínimo

Ministro da Fazenda disse ainda que não há hipótese de se fazer controle de capitais, após declarações do coordenador do programa de governo de Lula que causaram temor no mercado

6 ago 2026 - 19h22
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BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 6, que o resultado fiscal do governo não é o responsável pelo aumento do endividamento público desde 2024, e sim a taxa de juros.

"Eu não digo isso só do meu lado; veja que, durante essa gestão, as três maiores agências de rating no mundo, melhoraram a nota do Brasil", disse o ministro em entrevista à GloboNews. Durigan afirmou, na sequência, que o compromisso do governo é com "a trajetória de melhora fiscal e aprimoramento das contas públicas".

Ministro da Fazenda disse ainda que não há hipótese de se fazer controle de capitais, após declarações do coordenador do programa de governo de Lula que causaram temor no mercado
Ministro da Fazenda disse ainda que não há hipótese de se fazer controle de capitais, após declarações do coordenador do programa de governo de Lula que causaram temor no mercado
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Questionado sobre se o governo debate mudanças na vinculação de ganho real (acima da inflação) do salário mínimo, Durigan disse que isso não está sendo discutido.

"Nós não estamos discutindo esse tema agora em termos de instrumento. Há uma série de cenários que devem ser discutidos com o presidente, assim que a gente passar o período eleitoral, porque os desafios seguem existindo mesmo agora", disse.

Durigan disse ainda que não há hipótese de se fazer controle de capitais - restrição da entrada e saída de dinheiro no País - , e que não se discute isso no âmbito do governo e da campanha.

"O que é importante dizer aqui, também, a pedido do presidente, é que não há hipótese de fazer controle de capital. Nós não estamos discutindo isso. Esse não é um tema de discussão para programa de governo ou mesmo dentro do governo. Nós passamos esses três anos e meio não discutindo isso. Isso fica afastado", diz.

A fala vem após declarações do ex-presidente da Petrobras e coordenador do programa de governo de Lula, Sergio Gabrielli, em defesa do controle de capitais - que causaram temor na Faria Lima.

O ministro da Fazenda disse que o governo não está gastando mais do que arrecada e que não, hoje, não há nenhum risco de o Tesouro não pagar sua dívida. "Não há risco de troca de Tesouro por ativo real", emendou.

"Há, sim, uma preocupação minha, em especial, com o tamanho da nossa dívida. A nossa dívida já foi maior no passado, já houve uma redução em tempos recentes e nós precisamos trabalhar para diminuir a taxa de juros com esforço fiscal para que a gente diminua o endividamento do País ou, pelo menos, comece a estabilizar e projetar uma situação fiscal de médio e longo prazo mais estável", acrescentou Durigan.

"À frente do Ministério da Fazenda, acompanho as oscilações que a gente teve em vários momentos em relação a repique, aumento de taxa de juros. E isso não esteve necessariamente atrelado a uma piora da condição fiscal, porque avaliações das agências de risco internacional foram melhorando a nossa nota durante o ano e os números mostram isso", disse.

Durigan afirmou que o governo herdou um déficit grande do governo anterior, próximo de 2% do PIB, e que hoje não há mais esse déficit. "Quando fechar a conta no fim do ano, nós estamos muito próximos de fechar esse resultado."

O governo diz que cumprirá a meta de 2026 com um superávit de R$ 10,8 bilhões. Porém, uma série de despesas não são contabilizadas no cálculo - de modo que, na prática, o Executivo fechará o ano com um déficit real de R$ 52 bilhões nas contas públicas.

Para o ministro, a preocupação na área fiscal é para o futuro. Nesse caso, disse, cabe um debate sobre como o País seguirá evoluindo a despesa pública e se conseguirá recompor a receita "lutando contra os incentivos fiscais e os gastos tributários ineficientes". O ministro afirmou que esse é um trabalho que o governo já fez e que seguirá fazendo.

"Do ponto de vista do presidente Lula, a responsabilidade fiscal é uma precondição para que a gente discuta os outros temas que, para nós, inclusive, são mais importantes, como o desenvolvimento do País e o combate às desigualdades", disse.

Perguntado sobre se ele é o porta-voz econômico do governo e da campanha ao mesmo tempo, Durigan declarou que segue próximo de Lula, articulando com o presidente do PT, Edinho Silva, e com o ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.

Ele ainda fez um elogio público ao ministro do Planejamento, Bruno Moretti, com quem divide a condução da equipe econômica. "É um privilégio poder seguir conversando com o Fernando Haddad sobre economia e sempre muito próximo do presidente Lula e da atual equipe do governo. E aqui eu queria fazer um elogio ao ministro Bruno Moretti, que é um parceiro aqui de sempre", completou.

Estadão
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