Fleury tem alta de 45,7% no lucro líquido, com disciplina e inovação
Empresa de medicina diagnóstica apresentou lucro líquido de R$ 221,8 milhões no segundo trimestre
O grupo de medicina diagnóstica Fleury (FLRY3) reportou lucro líquido de R$ 221,8 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 45,7% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida cresceu 14,4%, para R$ 2,32 bilhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado avançou 15,2%, para R$ 612,9 milhões.
Em entrevista ao Estadão, a CEO Jeane Tsutsui e o CFO José Filippo avaliam que o resultado deste trimestre é reflexo do crescimento orgânico e inorgânico, da disciplina na alocação de capital e dos investimentos em inovação para ampliar a presença da empresa em serviços de saúde.
"Ao longo do tempo, temos executado uma estratégia com muita consistência. Crescemos no mix com mais em análises clínicas e diluimos os custos das áreas técnicas. Então essa diluição de custos fixos faz com que a gente aumente o lucro bruto", afirmou a CEO.
De acordo com a executiva, o aumento do lucro é consequência de uma operação mais eficiente, sustentada pelo crescimento de frentes de negócio da companhia: atendimento ao consumidor (B2C), atendimento a laboratórios e hospitais (B2B) e Novos Elos (estratégia de expansão e diversificação do grupo focada em serviços médicos além dos exames tradicionais).
O crescimento da receita, aliado ao aumento do volume de exames, permitiu ao Fleury diluir custos fixos e ampliar a rentabilidade, indicou Jeane. O desempenho operacional também levou vantagem pelo avanço das marcas regionais e da própria marca Fleury, que cresceu 12% no trimestre mesmo atuando no segmento premium. "É uma marca que permanece com muita vitalidade, inovação e diferenciação", afirmou a CEO.
Quais são os desafios, aos cem anos
Neste ano, a companhia completou cem anos de operação. Com a virada de século da marca, o desafio foi ampliar serviços que acompanhem as mudanças demográficas, o aumento de doenças crônicas e o envelhecimento da população. Em maio, a companhia inaugurou a unidade Marco 100, voltada à longevidade saudável, iniciativa que faz parte da ampliação da oferta de serviços focados em prevenção.
"Estamos olhando para serviços e jornadas de cuidado ambulatorial para estar presentes na vida das pessoas, com diagnóstico precoce e mudança de hábitos", ressalta.
A companhia também aposta na tecnologia para sustentar os ganhos de produtividade, mas adota uma conduta cautelosa em relação aos investimentos em inteligência artificial. Atualmente, o grupo soma mais de 50 aplicações de IA em operação, utilizadas em processos como leitura automatizada de pedidos médicos, direcionamento de pacientes para unidades mais adequadas, agendamento digital e apoio à atividade médica.
Retorno financeiro da IA ainda não é mensurado
Apesar do uso propagado há alguns anos, a empresa ainda não mensura de forma isolada o impacto financeiro da tecnologia. "Hoje a IA faz parte de diversos processos, mas ainda são casos específicos. Não temos como mensurar um resultado direto da IA", afirmou a executiva.
Na avaliação do CFO José Filippo, outro pilar da estratégia continua sendo o crescimento por aquisições. O grupo mantém uma equipe dedicada exclusivamente à prospecção de ativos e dizem estar "avaliando oportunidades". O executivo afirmou que a empresa não depende apenas de ofertas recebidas e monitora laboratórios que tenham aderência à estratégia do grupo. Os critérios utilizados são localização, potencial de integração, aspectos financeiros e alinhamento cultural.
"Normalmente temos uma quantidade grande de ativos dentro do nosso radar", afirmou. Segundo Filippo, a companhia pretende manter a combinação entre crescimento orgânico e aquisições como principal motor de expansão desde que tenham uma "estrutural de capital" já que o capital "está alto".
A relação entre dívida líquida e Ebitda encerrou o trimestre em cerca de 1,1, que é praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com Filippo, o resultado oferece flexibilidade para novos investimentos diante de um ambiente de juros altos.
"O custo de capital continua alto, por isso entendemos que manter uma alavancagem baixa é a estratégia mais adequada. Isso nos dá capacidade para continuar investindo e aproveitar oportunidades quando elas surgirem", observa.
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