Dólar volta a superar R$5 sob influência do exterior
Após a valorização recente do real motivada pelo primeiro turno das eleições, o dólar fechou em alta de 0,83%, a R$ 5,0156, voltando a superar o patamar de R$ 5. A alta refletiu o cenário internacional, marcado pelo fortalecimento da divisa norte-americana ante moedas de países emergentes e pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries. O movimento interrompeu a sequência de quedas, mantendo uma desvalorização acumulada de 8,62% da moeda no ano.
Após o forte rali do real visto depois do primeiro turno da eleição presidencial, o dólar fechou a quarta-feira em alta no Brasil e novamente acima dos R$5, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,0156, depois de ter atingido na véspera a menor cotação em quase 5 meses. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,62%.
Às 17h15, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- subia 0,60% na B3, aos R$5,0365.
Nas duas sessões anteriores o dólar acumulou uma queda de 4,65%, refletindo o entusiasmo dos investidores com a liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno.
Por trás do movimento está a percepção de boa parte do mercado de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.
O fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa foi forte no dia seguinte à eleição, como destacou Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine.
"O movimento reflete a percepção de que Flávio Bolsonaro teria maior disposição para enfrentar o desequilíbrio fiscal e implementar uma agenda econômica mais favorável ao mercado", afirmou, acrescentando que a sustentação do movimento dependerá do detalhamento das propostas econômicas.
Passado o primeiro impacto eleitoral, nesta quarta-feira o dólar exibiu ganhos no Brasil, em sintonia com o sinal positivo da moeda norte-americana ante outras divisas emergentes no exterior, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Às 17h37, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,36%, a 102,280, em uma sessão também marcada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo.
No fim da manhã o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.
(Edição de Isabel Versiani)
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