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Dólar fica estável no Brasil com política doméstica e tarifa dos EUA no foco dos investidores

15 jul 2026 - 17h36
(atualizado às 17h51)
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O dólar fechou a quarta-feira praticamente ‌estável ante o real, com investidores atentos ao noticiário político e à espera de nova tarifa comercial dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A estabilidade do câmbio no Brasil esteve na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana se firmou em baixa durante a sessão ante a maior parte das demais divisas.

O dólar à vista encerrou o dia no Brasil com variação positiva de 0,08%, aos R$5,0782. No ano, ⁠a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,48% ante o real.

Às 17h07, o dólar futuro para ‌agosto -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,03% na B3, aos R$5,0965.

Na terça-feira, o dólar à vista encerrou a sessão com baixa superior a 1% e no menor nível em um ‌mês, após dados de inflação nos EUA reduzirem as apostas ‌de que o Federal Reserve subirá juros no curto prazo.

Nesta sessão de quarta-feira, novos números nos ⁠EUA reforçaram essa percepção. O índice de preços ao produtor para a demanda final caiu 0,3% no mês passado, após alta de 0,6% em maio em dado revisado para baixo, informou o Departamento do Trabalho. Economistas consultados esperavam estabilidade.

O resultado pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre o dólar, que se firmou em queda ante as divisas fortes em relação a moedas de emergentes como o peso ‌colombiano, o rand sul-africano e o peso mexicano.

Em relação ao real, no entanto, o dólar pouco variou ‌ao longo do dia. Após atingir ⁠a mínima de R$5,0575 (-0,32%) às ⁠10h07, o dólar à vista marcou a máxima de R$5,0892 (+0,30%) às 13h58.

Profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que a moeda ⁠se sustentou próxima da estabilidade, na contramão da queda ‌no exterior, sob influência do cenário ‌político e da expectativa com a possível tarifação dos EUA.

No início do dia, uma nova pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 45% das intenções de voto no segundo turno, contra 37% de Flávio. O resultado, cuja margem de ⁠erro é de dois pontos percentuais, amplia para 8 pontos percentuais a vantagem de Lula sobre Flávio, contra 6 pontos percentuais do levantamento anterior.

Durante a tarde, um novo fator negativo para a candidatura de Flávio veio à tona na imprensa: uma foto do senador com Luiz Philippi Mourão, conhecido como "Sicário". Mourão, que morreu em março após ser preso pela ‌Polícia Federal, teria ligações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e envolvido em suposto financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Em vídeo, Flávio argumentou que, como ⁠figura pública, recebe diariamente dezenas de pedidos de fotos pelas ruas, procurando desvincular sua imagem do Sicário.

O noticiário político desfavorável a Flávio acabou dando sustentação às taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) e mantendo a cautela entre os agentes no mercado de câmbio, em meio aos receios quanto a um possível novo mandato de Lula -- cuja política fiscal é vista com desconfiança.

Além disso, o Brasil se prepara para a imposição de uma nova tarifa de 25% pelos EUA, que pode atingir mais de 4 mil produtos brasileiros, após meses de negociações intensas, mas em grande parte infrutíferas, disseram à Reuters quatro fontes que acompanham as discussões.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações no Brasil, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.

No exterior, às 17h21 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,37%, a 100,510.

(Edição de Pedro Fonseca e Isabel Versiani)

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