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Taxas de DIs são sustentadas por noticiário político no Brasil, na contramão do exterior

15 jul 2026 - 17h11
(atualizado às 17h51)
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As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira próximas da estabilidade nos vencimentos ‌curtos e com leves altas nos contratos longos, com o mercado brasileiro reagindo ao noticiário político desfavorável à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto e à expectativa de novas tarifas dos EUA contra o Brasil.

A curva a termo brasileira se sustentou na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries voltaram a desabar após a divulgação de novos números de inflação nos EUA.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,865%, com queda de 1 ponto-base ante o ajuste de 13,873% da sessão anterior. Na ponta longa da ⁠curva, o DI para janeiro de 2035 marcou 14,34%, com elevação de 5 pontos-base ante 14,287.

No início do dia, uma nova pesquisa Genial/Quaest sobre a ‌eleição presidencial mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 45% das intenções de voto no segundo turno, contra 37% de Flávio. O resultado, cuja margem de erro é de dois pontos percentuais, amplia para 8 pontos-percentuais a vantagem de Lula sobre Flávio, de 6 pontos-percentuais do ‌levantamento anterior.

Durante a tarde, um novo fator negativo para a candidatura de Flávio veio ‌à tona na imprensa: uma foto do senador com Luiz Philippi Mourão, conhecido como "Sicário". Mourão, que morreu em março após ser preso ⁠pela Polícia Federal, teria ligações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e envolvido em suposto financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Em vídeo, Flávio argumentou que, como figura pública, recebe diariamente dezenas de pedidos de fotos pelas ruas, procurando desvincular sua imagem do Sicário.

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que a medida provisória que trata da renegociação de dívidas rurais será editada nesta quarta-feira, com a estimativa de que cerca de R$100 bilhões em dívidas sejam renegociadas. O setor rural é visto como uma base de apoio à candidatura ‌de Flávio, e a renegociação de dívidas é considerada uma tentativa do governo de se aproximar do setor.

Além disso, o Brasil se prepara para a ‌imposição de uma nova tarifa de 25% pelos ⁠EUA, que pode atingir mais de ⁠4 mil produtos brasileiros, após meses de negociações intensas, mas em grande parte infrutíferas, disseram à Reuters quatro fontes que acompanham as discussões.

O governo Lula tem procurado ⁠associar eventual tarifa sobre produtos brasileiros aos interesses políticos da família Bolsonaro, que mantém contato ‌com aliados do presidente norte-americano Donald Trump. ‌Procurando se isentar de responsabilidade, Flávio fez um discurso este mês em Washington contra a tarifa de 25%.

O noticiário político desfavorável a Flávio acabou dando sustentação às taxas dos DIs, em meio aos receios entre os agentes do mercado quanto a um possível novo mandato de Lula -- cuja política fiscal é vista com desconfiança.

"A curva no Brasil descolou bastante hoje do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries ⁠caíram, claramente por conta da dinâmica interna de eleição", pontuou a analista Laís Costa, da Empiricus Research. "A demanda pelo tema 'eleição' mudou completamente no mercado, e hoje é outro dia que confirma este viés."

Além do desconforto com o cenário político, profissionais ouvidos pela Reuters citaram medidas políticas com possíveis impactos fiscais como um fator de sustentação para a curva.

Na noite de terça-feira o Senado aprovou Proposta de Emenda à Constituição que estabelece aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. A PEC, que ‌aguarda promulgação, teria impacto no Orçamento de R$3 bilhões por ano, calculou o governo em junho.

Às 12h50, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a máxima de 14,410%, em alta de 12 pontos-base, em um momento em que o Treasury de dez anos cedia ⁠4 pontos-base.

A despeito do movimento da curva brasileira no dia, investidores seguiram posicionados para mais um corte em agosto de 25 pontos-base da Selic, hoje em 14,25% ao ano. Durante a tarde, a curva precificava quase 100% de chance de um corte nessa magnitude.

Além disso, dados econômicos mais recentes -- como a inflação pelo IPCA abaixo do esperado em junho -- têm dado força a apostas de que o Banco Central poderá promover outro corte de 25 pontos-base também em setembro. Na tarde desta quarta-feira, a curva precificava cerca de 30% de chance de isso acontecer, contra 70% de probabilidade de manutenção.

Pela manhã, mais um dado corroborou as apostas de mais cortes da Selic. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços teve queda de 0,4% em maio ante abril, após alta de 1,1% no mês anterior. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,1%.

No exterior, os preços ao produtor norte-americano caíram de forma inesperada em junho, em mais um indício de que a inflação dos EUA vinha recuando antes da recente escalada do conflito no Oriente Médio. Em reação, os rendimentos dos Treasuries despencaram.

Às 16h48 o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 5 pontos-base, a 4,143%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 4,551%.

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