Dólar fecha estável ante real em meio à expectativa de acordo entre EUA e Irã
O dólar fechou estável a R$ 5,1040 (-0,08%), influenciado pela expectativa de um acordo de paz entre EUA e Irã após declarações de Donald Trump. O mercado operou com oscilações contidas, reagindo internamente à ata do Copom — que manteve a postura restritiva da Selic a 13,75%, apesar de analistas preverem cortes futuros — e ao cenário eleitoral, marcado pelo empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula na pesquisa Quaest. No exterior, a moeda americana teve comportamento misto contra emergentes.
Após oscilar em margens estreitas, o dólar fechou a terça-feira próximo da estabilidade ante o real, em uma sessão marcada pela expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Internamente, os investidores se mantiveram atentos ao noticiário eleitoral, além de repercutirem a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,08%, a R$5,1040. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,01%.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,21% na B3, aos R$5,1115.
O Copom defendeu na ata a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação.
"Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", afirmou o BC.
Ao analisar o documento, a economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Natalie Victal, citou um "ganho de convicção na desaceleração da atividade".
Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, a ata indicou que o Copom está confiante no processo de desinflação da economia.
"Apesar do nosso cenário base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano, entendemos que a ata de hoje aponta para uma maior inclinação do Copom seguir afrouxando a Selic nas próximas reuniões, impondo um viés baixista para a nossa projeção", disse Lin em comentário escrito.
A perspectiva de novo corte da Selic em novembro, para 13,50%, somada à possibilidade de mais aumentos de juros nos EUA, cuja taxa está hoje na faixa de 3,75% a 4,00%, reduz o diferencial de juros entre os dois países -- algo que pode alterar o fluxo de investimentos para o Brasil, com impactos de alta no dólar.
Outro fator de atenção dos investidores foi a corrida pelo Planalto. Na noite anterior, uma nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto na simulação de segundo turno, contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico. Na semana anterior, Flávio tinha os mesmos 42% e Lula somava 40%.
Neste cenário, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,1365 (+0,58%) às 9h23, ainda na primeira meia hora de negócios.
Durante o restante da manhã e à tarde, porém, a moeda norte-americana perdeu força gradativamente, virando para o negativo, ainda que as oscilações fossem limitadas.
O movimento ocorreu em meio à expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar em um acordo com o Irã apenas depois das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. Ao mesmo tempo, afirmou que pode "aniquilar a República Islâmica" se um acordo de paz não for alcançado.
Após o discurso, Trump disse a repórteres que autoridades dos dois países tiveram uma reunião "muito boa", de três horas, nesta terça-feira.
Às 16h35, já após os comentários de Trump, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$5,0976 (-0,20%), para depois retornar para perto da estabilidade.
"O dólar passou por oscilações durante o dia, mas manteve-se em um patamar comportado e refletindo a menor aversão ao risco por parte dos investidores frente ao cenário externo", disse à tarde Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, em comentário escrito.
No exterior, o dólar exibia no fim da tarde sinais mistos ante as demais divisas de países emergentes. Por outro lado, sustentava leves ganhos ante as divisas fortes. Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,10%, a 100,520.
No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para 1º de outubro.
(Edição de Isabel Versiani)
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