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Taxas dos DIs recuam com petróleo em baixa e eleição no radar

22 set 2026 - 16h52
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Resumo
As taxas dos DIs fecharam em queda nesta terça-feira, puxadas pelo recuo do petróleo no exterior após declarações de Donald Trump sobre avanços nas negociações entre EUA e Irã. O alívio externo compensou a cautela doméstica gerada pela ata do Copom, que defendeu juros restritivos diante de pressões de demanda, e por pesquisas eleitorais que apontam empate técnico acirrado entre Lula e Flávio Bolsonaro, fator visto com desconfiança pelo mercado quanto ao futuro fiscal do país.

As taxas dos DIs fecharam a terça-feira com baixas, refletindo o ‌recuo do petróleo no exterior em meio à expectativa de que as negociações entre EUA e Irã possam avançar, enquanto no Brasil a disputa presidencial e a ata do último encontro do Copom também influenciaram os negócios.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,475%, com baixa de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,528% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,95%, com queda de 8 pontos-base ante 14,028%.

Na ⁠noite de segunda-feira, uma nova pesquisa Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 42% das intenções de voto na simulação de segundo turno, ‌contra 41% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão em empate técnico na disputa pelo Planalto. Na semana anterior, Flávio tinha os mesmos 42% e Lula somava 40%.

Dois profissionais ouvidos pela Reuters ‌pontuaram que, embora persista o empate técnico na pesquisa Quaest, o fato de ‌a vantagem numérica de Flávio no segundo turno ter diminuído foi mal-recebido. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por ⁠boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

Em função disso, as taxas dos DIs sustentaram ganhos durante boa parte da manhã, ainda que no exterior os rendimentos dos Treasuries e o petróleo estivessem em baixa em meio à esperança de que EUA e Irã possam chegar a um acordo.

Na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar em um acordo com o Irã apenas depois das eleições legislativas norte-americanas, em novembro. ‌Ao mesmo tempo, afirmou que pode "aniquilar a República Islâmica" se um acordo de paz não for alcançado.

Após o discurso, Trump disse a repórteres que ‌autoridades dos dois países tiveram uma reunião "muito ⁠boa", de três horas, nesta terça-feira.

"Trump ⁠deu declarações um pouco mais otimistas em relação ao Irã, e isso ajudou a reduzir o preço do petróleo", comentou à tarde o estrategista-chefe e ⁠sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, para quem o cenário externo ajudou a conduzir ‌as taxas dos DIs para o território ‌negativo.

Após marcar a máxima de 14,085% (+6 pontos-base) às 9h21, ainda na primeira meia hora do dia, a taxa do DI para janeiro de 2035 perdeu força durante a tarde e atingiu a mínima de 13,95% (-8 pontos-base) no encerramento da sessão regular, quando o petróleo Brent oscilava abaixo dos US$99 o barril.

Mais cedo, os investidores também digeriram a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ⁠do Banco Central, que defendeu a manutenção do nível restritivo da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, diante da pressão da demanda, ainda que se observe um arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação.

"Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", afirmou o BC no documento.

Para o economista Carlos Lopes, do banco BV, o cenário para o próximo ‌encontro do Copom segue "completamente aberto".

"O Banco Central aguarda principalmente o cenário eleitoral, mas também a evolução no quadro internacional, política de juros americana para tomar a próxima decisão. Então, acho que a estratégia do Banco Central é justamente aguardar o que acontece no ⁠cenário internacional, o que acontece aqui com o resultado da eleição, para na próxima reunião decidir se segue cortando ou não", avaliou.

A próxima reunião do Copom ocorrerá no início de novembro, já após o segundo turno da eleição presidencial.

Na avaliação de Rostagno, da EPS Investimentos, a eleição gera um cenário binário: se Flávio vencer, o mercado tende a reagir positivamente e aumentam as chances de mais dois cortes de 25 pontos-base da Selic ainda em 2026; se Lula vencer, a reação do mercado será negativa, e o próprio BC tende a ser mais cauteloso em relação a cortes de juros.

No fim da manhã, em seu leilão regular, o Tesouro vendeu ao mercado 1,95 milhão de Notas do Tesouro Nacional -- Série B (NTN-Bs), títulos indexados à inflação, e 750 mil Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que acompanham a Selic.

Mais cedo, a Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal teve alta real (descontada a inflação) de 8,25% em agosto sobre igual mês do ano anterior, para R$235,566 bilhões.

À tarde, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, de 2,3% para 2,0%, e para 2027, de 2,5% para 2,3%.

No exterior, às 16h37 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 2 pontos-base, a 4,939%.

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