Dólar fecha abaixo dos R$5,20 com expectativa de desescalada da guerra
O dólar fechou a terça-feira em queda firme ante o real e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo quase generalizado da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, em meio à expectativa de que a guerra no Oriente Médio possa desescalar.
O dólar à vista fechou em queda de 1,28%, aos R$5,1791. No acumulado de março -- que coincide com o primeiro mês da guerra de EUA e Israel contra o Irã -- o dólar subiu 0,87%. No primeiro trimestre do ano, a divisa dos EUA acumulou baixa de 5,65%.
Às 17h22, o dólar futuro para maio -- que nesta sessão passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 1,46% na B3, aos R$5,2140.
Na primeira metade do dia, os investidores operaram no Brasil em meio à disputa pela formação da Ptax do fim de março. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros.
No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).
Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, a Ptax fechou em R$5,2194 na venda.
No exterior, os mercados foram novamente conduzidos pelo noticiário sobre a guerra. Na noite de segunda-feira, o Wall Street Journal havia informado que Trump disse a assessores estar disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado.
Nesta terça-feira, relatos na imprensa indicaram que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, teria dito que o país estava pronto para encerrar a guerra.
Embora o Irã tenha atacado durante o dia um petroleiro perto de Dubai e Trump tenha voltado a ameaçar o país, os investidores se apegaram à possibilidade de desescalada da guerra, o que se traduziu na venda do dólar em todo o mundo, incluindo no Brasil.
"O dólar operou em queda ao longo da sessão, em um movimento puxado pela melhora do apetite global por risco após sinais mais concretos de desescalada no conflito entre EUA e Irã, com Trump indicando disposição para encerrar a campanha militar mesmo com o Estreito de Ormuz parcialmente fechado", resumiu Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
No exterior, a moeda norte-americana se mantinha em baixa firme ante as demais divisas no fim da tarde. Às 17h20, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- recuava 0,72%, a 99,835.
(Edição de Isabel Versiani)