Dólar cai para perto de R$5,00 com expectativa de acordo entre Irã e EUA
O dólar voltou a ceder para perto dos R$5,00 nesta quarta-feira, em uma sessão marcada por maior apetite ao risco em todo o mundo, com os investidores otimistas sobre um possível acordo de paz entre Irã e Estados Unidos.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,76%, aos R$5,0031. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,85% ante o real.
Às 17h02, o dólar futuro para junho - atualmente o mais líquido no mercado brasileiro - cedia 0,90% na B3, aos R$5,0155.
A expectativa de um acordo de paz entre Irã e EUA deu o tom dos negócios desde cedo. Dados de navegação da LSEG e da Kpler mostraram pela manhã que três superpetroleiros estavam cruzando o Estreito de Ormuz, em direção aos mercados asiáticos, depois de esperarem no Golfo Pérsico por mais de dois meses.
Já a Guarda Revolucionária do Irã disse que 26 navios, incluindo petroleiros, navios porta-contêineres e outras embarcações comerciais, transitaram pelo Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, em coordenação com o país.
À tarde, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que os EUA estão lidando com "pessoas razoáveis", acrescentando que está disposto a aguardar alguns dias pela "resposta certa" do Irã sobre um acordo.
Neste cenário, tanto o petróleo quanto os rendimentos dos Treasuries cederam, enquanto o dólar se firmou em baixa ante quase todas as demais divisas, incluindo o real, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
Após atingir a cotação máxima de R$5,0589 (+0,34%) às 10h10, o dólar à vista marcou a mínima de R$4,9996 (-0,83%) às 16h16, já na reta final da sessão.
"O principal vetor de alívio foi a queda expressiva nos rendimentos dos Treasuries e nos preços do petróleo, que recuaram fortemente após declarações do governo americano sinalizando que um acordo de paz com o Irã estaria em estágio final, além da normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz", disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
O otimismo vindo do exterior deixou em segundo plano o noticiário político no Brasil, ainda que o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, esteja longe de ser superado.
Durante a tarde, o Federal Reserve publicou a ata de seu último encontro de política monetária. O documento mostrou que as preocupações com a inflação, que está sendo alimentada pela guerra, se intensificaram. Um número cada vez maior de membros do Fed diz que a instituição deveria preparar o terreno para um possível aumento de juros.
Atualmente a taxa de juros norte-americana está na faixa de 3,50% a 3,75%, enquanto no Brasil a taxa Selic segue em 14,50%.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA vem sendo apontado como um dos fatores de atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real em meses anteriores.
A guerra no Oriente Médio, no entanto, mexeu com os fluxos globais de recursos, inclusive para o Brasil. Mais recentemente, o escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro tem pressionado as cotações.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho. Durante a tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$1,588 bilhão em maio até o dia 15.
Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,20%, a 99,106.
(Edição Alberto Alerigi Jr. e Alexandre Caverni)
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