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Atlantic Nickel investe R$ 3 bi em mina subterrânea para ampliar produção de níquel em 87% até 2029

O aumento na produção se apoia na conversão de mina a céu aberto para subterrânea, em Itagibá, na Bahia, o que estenderá para mais de 30 anos a vida útil prevista para a mina

20 mai 2026 - 15h21
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RIO - Em um cenário de sobreoferta e turbulência dos preços, a mineradora Atlantic Nickel planeja expandir a produção anual de níquel sulfetado — metal essencial para baterias de carros elétricos — em 87% até 2029, ao mesmo tempo que foca na disciplina de custos como pilar estratégico para manter a rentabilidade do negócio. O metal se enquadra no grupo dos minerais críticos, riqueza estratégica alvo de uma corrida mundial.

O aumento na produção está apoiado na conversão de uma mina a céu aberto para subterrânea, com investimento de R$ 3 bilhões. A obra, em Itagibá, na Bahia, foi iniciada recentemente. A estrutura subterrânea vai estender para mais de 30 anos a vida útil prevista para a mina.

A mina de Santa Rita produz hoje, na superfície, mineral com teor de 0,29% de níquel, enquanto o produto no subterrâneo alcançaria teor de 0,5%
A mina de Santa Rita produz hoje, na superfície, mineral com teor de 0,29% de níquel, enquanto o produto no subterrâneo alcançaria teor de 0,5%
Foto: Appian/Reprodução / Estadão

Além disso, dará acesso a reservas de teor de níquel mais alto do que o obtido na superfície, o que permitirá o aumento da produção final, de 16 mil toneladas de níquel equivalente (NiEq) para 30 mil toneladas, processando o mesmo volume, de 6,6 milhões de toneladas de minério por ano.

A mina, chamada de Santa Rita, produz hoje, na superfície, mineral com teor de 0,29% de níquel, enquanto o produto no subterrâneo alcança teor de 0,5%, diz Milson Mundim, country manager da Appian Capital Brazil, braço do fundo de investimentos Appian Capital Advisory e controladora da Atlantic Nickel.

'Estamos embarcando em uma grande expansão do nosso projeto de níquel na Bahia', diz Milson Mundim, country manager da Appian Capital Brazil
'Estamos embarcando em uma grande expansão do nosso projeto de níquel na Bahia', diz Milson Mundim, country manager da Appian Capital Brazil
Foto: Appian Capital Brazil/Divulgação / Estadão

O fundo, especializado em mineração, trabalha no modelo investidor-operador: compra participações em empresas, otimiza o negócio e desenvolve ativos para gerar valor. "Estamos embarcando em uma grande expansão do nosso projeto de níquel na Bahia", reafirmou Mundim.

Controle de custos

O executivo não mostra preocupação com a turbulência nas cotações do níquel, atribuída em grande medida à sobreoferta que a Indonésia — maior produtor global — vem praticando há alguns anos. O metal teve recuo de aproximadamente 30% em 2024, de 15% em 2025 e de 30% no acumulado de 2026.

"Nós não controlamos os preços (do níquel no mercado internacional). Temos de controlar o custo (de produção da companhia)", diz. A filosofia da Appian, detalhou, é se posicionar no primeiro quartil da curva de custos do segmento. "Isto quer dizer que 75% dos projetos do mercado teriam de parar de operar antes de o preço de equilíbrio da Atlantic Nickel ser atingido."

Em uma situação de aumento dos custos, o negócio perderia atratividade para dois terços das empresas, que deixariam de produzir, o que acabaria levando o preço do níquel a subir, com resultado positivo para a Atlantic Nickel. "Por isso nós não nos preocupamos tanto com as oscilações da cotação do níquel."

O posicionamento adequado na curva de custos, diz o presidente da empresa, está fortemente relacionado à composição das equipes da Appian. "Diferente da grande maioria dos fundos de investimento, a maioria dos nossos funcionários não é da área financeira. Eu sou, mas a maioria dos funcionários é de técnicos de mineração, engenheiros de minas, metalurgistas, geólogos e geofísicos."

Essa composição, frisa, permite à empresa ter capacidade de descobrir e desenvolver projetos que têm chances de se tornarem os mais eficientes: "O tripé que nos faz eficientes é composto de pesquisa mineral, implantação e operação. E buscamos projetos defensivos."

Produção controlada

Além disso, a mineradora tende a se beneficiar de movimentos mais recentes da Indonésia, cujo governo está induzindo uma redução da oferta, apertando o sistema de cotas de produção. Além disso, o país defende a criação de um grupo de países produtores para coordenar produção e preços.

"É mais ou menos como o modelo da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)", comentou Mundim.

"Estão criando um ambiente para levar os grandes produtores a diminuir a produção, visando a uma otimização dos preços. Há um ponto ótimo entre quantidade e preço que maximiza a produção. O governo da Indonésia está buscando isso agora. A Opep faz isso há 30 anos com sucesso."

Tensão geopolítica

Num momento em que os olhos estão voltados para a guerra no Oriente Médio, a tensão geopolítica mais relevante para a Appian ainda é a que contrapõe os EUA e a China. "Move mais peças no nosso xadrez o declarado esforço dos EUA de trazer a produção de vários minerais essenciais para as 'nações amigas' do Oeste", disse o presidente da Appian, lembrando que a China domina a produção de terras raras e outros materiais, como o ânodo de grafite para carros elétricos.

As preocupações da indústria de mineração, destaca o executivo, estão focadas em uma produção relevante de produtos relevantes — como terras raras, cobre, níquel, grafite — que estejam em "países alinhados", e não na China. "Agora, todo mundo concluiu que isso (concentração da produção na China) é um perigo estratégico."

O Brasil é dos mercados menos afetados pela concentração do fornecimento de minerais críticos e terras raras na China, pondera. "Não somos megaconsumidores da maioria desses elementos. Terras raras são usadas na indústria de tecnologia e de armamentos. São duas das mais fortes dos EUA."

Estadão
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