Dólar cai após duas novas pesquisas eleitorais mostrarem Flávio à frente de Lula
O dólar abriu em queda nesta sexta-feira, cotado a R$ 5,0040, influenciado por pesquisas do Datafolha e Atlas/Bloomberg que apontam Flávio Bolsonaro à frente de Lula na corrida presidencial. O mercado associa o senador a um maior rigor fiscal, o que reduziu a cotação da moeda, em linha com a desvalorização global do dólar perante divisas emergentes. O recuo cambial ocorreu mesmo com a inflação de setembro (IPCA) subindo 0,82%, superando as projeções, e em meio às tensões no Oriente Médio.
O dólar iniciou esta sexta-feira em baixa ante o real após duas novas pesquisas eleitorais indicarem o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, enquanto no exterior a moeda norte-americana também cedia ante outras divisas de países emergentes.
Às 9h40, o dólar à vista caía 0,40%, a R$5,0040 na venda.
O dólar futuro para novembro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- tinha baixa de 0,43%, aos R$5,0185.
A pesquisa do Datafolha divulgada na noite de quinta-feira mostrou Flávio com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, os dois candidatos estão no limite do empate técnico.
Os indecisos somam apenas 1%, enquanto aqueles que dizem que votarão em branco, anularão o voto ou não votarão em nenhum candidato chegam a 5%.
Já a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou nesta manhã de sexta-feira que Flávio tem 51,1%, contra 45,7% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, a liderança do senador está além da área de empate técnico.
O percentual de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou anular o voto caiu de 5,0% para 3,2%.
A confirmação de que Flávio lidera a disputa no segundo turno voltou a pesar sobre o dólar nesta sexta-feira.
No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste.
Além da questão eleitoral, o viés de baixa do dólar no Brasil está em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante divisas pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
O petróleo Brent também recuava, mas permanecia em patamar elevado, na faixa dos US$102 o barril, em meio à guerra no Oriente Médio.
Na quinta-feira, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, disse que o país não abandonará o enriquecimento de urânio nem entregará seu urânio. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não atacará o Irã antes das eleições legislativas norte-americanas de meio de mandato, em novembro.
No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA -- o índice oficial de inflação -- subiu 0,82% em setembro, mais que a taxa de 0,73% projetada pelos economistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, houve alta de 4,58%, ante projeção de 4,50%.
Às 11h30, o Banco Central realiza seu leilão regular de rolagem de swap cambial, com oferta de 50.000 contratos para 3 de novembro.
(Edição de Pedro Fonseca e Eduardo Simões)
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