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Dólar devolve ganhos e passa a recuar frente ao real com melhora externa

20 mai 2024 - 09h18
(atualizado às 12h24)
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Por Fernando Cardoso

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar devolveu os ganhos e passou a recuar ligeiramente frente ao real nesta segunda-feira, em meio ao avanço dos principais índices de Wall Street, que refletiam a expectativa contínua dos investidores por um início do ciclo de cortes de juros no Federal Reserve, apesar de declarações cautelosas de membros do banco central.

Às 12h03, o dólar à vista caía 0,14%, a 5,0960 reais na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento recuava 0,23%, a 5,0965 reais.

Os investidores estão no aguardo da ata da última reunião de política monetária do Fed, que será divulgada na quarta-feira, com foco no que as autoridades do banco central norte-americano sinalizarão sobre o futuro da taxa básica de juros do país.

Em sua decisão no início deste mês, o Fed manteve os juros estáveis, na faixa de 5,25% a 5,50%, e sinalizou que ainda está inclinado a eventuais reduções nos custos de empréstimos, mas avaliou as leituras de inflação até aquele momento como decepcionantes.

Nesta segunda-feira, o vice-chair do Fed, Philip Jefferson, afirmou, durante conferência em Nova York, que o recente declínio em alguns indicadores de inflação é encorajador, mas ainda é cedo para saber se a inflação está de volta a uma trajetória sustentável de volta a 2%.

O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse em uma entrevista à Bloomberg Television que levará algum tempo para que o banco central tenha certeza de que a inflação está no caminho de volta à meta, classificando os dados de preços como "muito irregulares".

Apesar disso, os principais índices de Wall Street avançavam na sessão. O Nasdaq, índice com forte peso do setor de tecnologia, atingiu um pico recorde, impulsionado por fabricantes de chips, antes dos resultados trimestrais altamente aguardados da Nvidia.

Os índices Dow Jones e S&P 500 também subiam nesta segunda-feira.

"Apesar de um discurso um pouco mais 'hawkish' (agressivo no combate à inflação) de dois dirigentes do Fed agora pela manhã, as bolsas de Nova York abriram com grande alta", disse Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.

"Indica investidores refletindo os dados de preços ao consumidor da semana passada e acreditando que um corte na taxa de juros pelo Fed possa estar mais próximo."

Os investidores preveem uma probabilidade de 76% de que o Fed reduzirá os juros em pelo menos 25 pontos-base em setembro, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.

No cenário doméstico, analistas consultados pelo Banco Central voltaram a elevar a projeção para a taxa Selic ao final deste ano, com perspectiva de inflação mais alta e menos crescimento, de acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira.

O levantamento apontou que a expectativa para a Selic este ano agora é de 10,0%, de 9,75% antes, na terceira semana seguida de elevação. Para 2025 a projeção continua sendo de 9,0%.

Num geral, quanto mais o Federal Reserve cortar os juros e quanto menos o BC afrouxar a política monetária local, melhor para o real. Isso porque, quanto maior o diferencial de juros entre Brasil e EUA, mais interessante fica a moeda doméstica para uso em estratégias de "carry trade", em que investidores tomam empréstimo em país de taxas baixas e aplicam esse dinheiro em mercado mais rentável.

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