Dólar tem leve baixa em meio a fluxo para o Brasil e esperança de acordo entre EUA e Irã
O dólar fechou a sexta-feira com leve queda, abaixo da marca de R$5,25, em meio a relatos de fluxo de entrada de recursos no Brasil e à esperança de um acordo entre EUA e Irã sobre a guerra.
O dólar à vista fechou em queda de 0,35%, aos R$5,2392. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,38% e, no ano, recuo de 4,55%.
Às 17h04, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro - cedia 0,04% na B3, aos R$5,2420.
A guerra que coloca EUA e Israel contra o Irã foi novamente o condutor dos negócios nos mercados globais. Pela manhã, os mercados reagiam à pausa de dez dias dos ataques dos Estados Unidos às usinas do Irã, anunciada na véspera pelo presidente norte-americano, Donald Trump. O intervalo durará até 6 de abril.
Apesar da pausa, o dólar sustentava ganhos ante boa parte das demais moedas, incluindo o real. Às 9h08, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,2805 (+0,44%).
Entre o fim da manhã e o início da tarde, no entanto, os ativos brasileiros demonstraram alguma reação, com o Ibovespa virando para o positivo e o dólar para o negativo ante o real.
Fonte ouvida pela Reuters afirmou que a resposta do Irã a uma proposta de paz dos EUA, destinada a pôr fim à guerra, era esperada ainda nesta sexta-feira, o que trouxe certo alívio para as moedas de países emergentes.
No Brasil, conforme três profissionais ouvidos pela Reuters, a virada ocorreu em meio ao fluxo de entrada de recursos no país, inclusive para a bolsa de valores.
"O cenário negativo pela manhã, (com) alguns atenuantes depois. O fluxo para a bolsa ajudou a dar liquidez para o câmbio", resumiu Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.
Às 12h06, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,2184 (-0,74%), para depois se acomodar em níveis mais próximos dos R$5,25.
"A combinação de petróleo elevado, juros globais em alta e incerteza em torno do conflito no Oriente Médio sustentou a demanda por proteção ao longo da manhã, mas o movimento perdeu força com a desaceleração do dólar no exterior e sem piora adicional no cenário", avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
No início do dia, o Banco Central informou que o país teve déficit em transações correntes de US$5,614 bilhões em fevereiro, acima do déficit de US$5,4 bilhões projetado por economistas consultados pela Reuters. Na outra ponta, o Brasil recebeu US$6,754 bilhões em investimentos diretos no país em fevereiro, abaixo dos US$7,6 bilhões projetados na pesquisa.
No exterior, às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,23%, a 100,110.