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Do direito para empreendedor de bebidas: criador da Ballena revela detalhes da marca que é febre entre jovens

Empresário Fernando Gorayeb conta como entrou dentro do mercado e como criou a famosa tequila com morango

3 nov 2023 - 05h00
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O paulista Fernando Gorayeb, de 35 anos, é um dos criadores da famosa Ballena e administra outros gigantes dos destilados como a Fever-Tree.
O paulista Fernando Gorayeb, de 35 anos, é um dos criadores da famosa Ballena e administra outros gigantes dos destilados como a Fever-Tree.
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Do direito para o mercado financeiro, depois para a publicidade e, por fim, para a empreitada atual: o empreendimento de bebidas alcoólicas. “Eu sempre brinco, né? Calma que a vida leva”, comenta o paulista Fernando Gorayeb, de 35 anos, em conversa com o Terra. O empresário é um dos criadores da famosa Ballena, a ‘bebidinha rosa’ que é febre entre os jovens, e que administra outros gigantes dos destilados, como a Fever-Tree. Contudo, conforme ele revela, demorou um tempo para aceitar essa nova trajetória.

Fernando conta que, apesar da formação em direito, começou no mercado financeiro, em uma empresa familiar de compra e venda. De acordo com ele, ter esse conhecimento sobre o fluxo do mercado foi essencial para levá-lo onde está agora.

“Eu me formei em direito, mas fiz minha administração na escola da vida (risos). Eu trabalhei durante muito tempo no mercado financeiro, numa empresa familiar, e acho que isso foi o que me deu o trampolim para ter um conhecimento”, conta. “Você acaba olhando profundamente e tendo que conhecer muito a respeito do próprio negócio e daquilo que você está comprando ou vendendo. Isso acabou sendo uma lição”.

Primeiro passo no mercado das bebidas

A primeira bebida foi lançada pelo empresário em 2017, quando ele e um sócio resolveram dar um “passo de fé” e trazer para o Brasil uma marca consolidada inglesa. “Acho legal ter começado com a Fever-Tree em um momento tão oportuno, em que o mercado brasileiro estava em ascensão, principalmente com o gin”, reflete.

De acordo com Fernando, naquela época o mercado e o público brasileiro estavam experimentando e investindo exatamente naquele tipo de bebida. “Talvez, se eu tentasse trazer ela hoje para o Brasil, sem ter experiência, com a maturidade de mercado que temos hoje em relação a cutelaria, eu provavelmente não conseguiria”, comenta.

Fever-Tree
Fever-Tree
Foto: Reprodução/Fever-Tree

“Você precisa saber muito, mas também estar no momento certo na hora certa. A gente estava no momento certo, na hora certa e com o conhecimento”, comentou.

O processo, porém, não começou de cima. “A gente pegou a garrafinha, parou na região do Jardins [em São Paulo], que era o público-alvo, e foi batendo de restaurante em restaurante, mostrando o produto”, contou com bom humor.

A bebida rosa

Licor fino de leite, Ballena
Licor fino de leite, Ballena
Foto: Reprodução/Ballena

Depois de alguns grandes lançamentos, Fernando e alguns sócios resolveram criar a sua própria versão de uma bebida similar ao que viria a ser a Ballena, durante uma viagem à Espanha. “Tínhamos tomado um produto muito semelhante, mas eu falei para os outros que ‘era o produto ideal, era gostoso, mas trocaria e evoluiria algumas coisas’ e disse: ‘bom, vamos fazer isso’”, relembra.

A partir daí, o próximo passo foi o processo de desenvolvimento do líquido até chegar no que eles consideravam o ideal. Apenas isto, levou cerca de três meses para a escolha, junto com o trabalho de um químico. “A primeira vez vieram para mim 20 amostras. Dessas, eu separo 5 [que mais gostei] e faço as minhas observações: quero mais adstringência, quero menos soro, quero mais punch de álcool. Então, todo o processo vai entre essas idas e vindas, durante uns três meses, até chegar em um produto que eu disse: ‘Ó, esse daqui é a Ballena’”, explicou. 

Ainda segundo ele, o grande diferencial da bebida é a escolha da tequila como um dos seus sabores principais, e é o que a torna em um produto premium, pois, para adquiri-la é necessário cumprir uma série de requisitos do governo mexicano, além da certificações dos produtores.

“Eu gosto muito de tequila, sou um apreciador e acho que o morango combina muito com ela. Acredito que ela é o próximo hype com relação aos destilados”, comenta Fernando sobre a escolha do sabor. “Testamos várias cores, mas o rosa foi o que mais pegou”. 

Outro detalhe sobre o sabor da Ballena apontado pelo Fernando é que a sua composição não é tão forte. “É uma tendência mundial. As pessoas estão procurando bebidas menos fortes. Querem beber, mas conseguem tomar aquilo a noite toda. Este é o público da Ballena, quem está procurando este life style”. 

Storytelling

O próximo passo foi a comunicação. Entrando no site da bebida, você descobre uma história super interessante, “A lenda de Ballena”, que se passa em 1905, na costa mediterrânea espanhola. Segundo Gorayeb, todo o charme da lenda - a escolha da logo, uma baleia, e a cor rosa - foi calculado.

“Tem toda uma mística sobre o que está escrito ali atrás da garrafa, toda a história da lenda que a gente criou, o número 1905, a gente foi fazendo toda essa brincadeira. Inclusive, o nome ‘Ballena’ em espanhol, pois é um líquido espanhol”, contou com animação. “É um trabalho em equipe de muita gente”.

A lenda da Ballena
A lenda da Ballena
Foto: Reprodução/Ballena

Atualmente, a Ballena é comercializada em garrafas de 750 ml, que custam entre de R$ 140 e R$ 109. A fabricação é feita de forma terceirizada em Jundiaí, São Paulo. A equipe de reportagem bem que tentou, mas o empresário preferiu não revelar números de faturamento com a ‘bebidinha rosa’.

Mercado e futuro da marca

Com a produção de 60 mil garrafas por mês, Fernando avalia a Ballena como um produto em ascensão, porém, o mercado de bebidas brasileiro ainda precisa de desenvolvimento. “Ela está no setor de licor, que aqui no Brasil é pouco explorado, o que tem muita a ver com a nossa coquetelaria”, comentou.

“Acho que o Brasil tem muito o que amadurecer ainda e acredito que há muita oportunidade para bons produtos entrarem no mercado e para pegar maturidade de alguns segmentos. Como licores, alguns destilados, a tequila mesmo, por exemplo”, disse.

Apesar do crescimento, o grupo econômico responsável pela Ballena, que é composto por Fernando e outros sócios, ainda não acha que seja o momento para uma expansão a nível internacional. “Precisamos ter uma estratégia de crescimento muito consciente. Temos demanda do mundo inteiro, mas precisamos ter um crescimento responsável. Não deixarei o consumidor daqui, pois quero ir para os Estados Unidos. Mas queremos, sim, atender mais pessoas para o próximo ano”, avaliou. 

O empresário orienta os novos empreendedores, que desejam entrar no ramo para serem preparados. “O mercado tem muitas pessoas despreparadas que acabam investindo um dinheiro que será jogado no lixo. Hoje, na Ballena, grande parte da receita é voltada para produção, trabalhamos com bons parceiros e há um planejamento, pensando no crescimento ou expansão, quais problemas [talvez] vamos enfrentar lá na frente”, comentou.

Fonte: Redação Terra
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