Déficit nominal do Brasil encosta em 10% do PIB e se aproxima de níveis da pandemia
O déficit nominal do Brasil subiu para quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses até junho, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central, atingindo o nível mais alto desde 2021 sob o impacto da conta de juros.
O rombo aumentou para R$1,318 trilhão, o equivalente a 9,99% do PIB, ante 9,61% até maio e 7,27% um ano antes.
O resultado foi o maior desde abril de 2021, quando o déficit em 12 meses atingiu 10,25% do PIB num momento em que o país lidava com gastos extraordinários relacionados à pandemia de Covid-19.
A deterioração do indicador destaca o que muitos economistas veem como a principal vulnerabilidade do país: o rápido crescimento da conta de juros em meio à Selic elevada para controlar a inflação, num ambiente de prêmios de risco altos exigidos por investidores para financiar os crescentes gastos públicos enquanto seguem céticos quanto à capacidade do governo de estabilizar a dívida.
O número também ressalta a posição fiscal mais frágil do Brasil na comparação com seus pares, já que ficou bem acima do déficit médio de cerca de 6% projetado pelo Fundo Monetário Internacional para as economias emergentes e de renda média neste ano.
DÍVIDA
Nos 12 meses até junho, os pagamentos de juros alcançaram 8,80% do PIB, respondendo pela maior parte do déficit nominal do Brasil, enquanto o déficit primário ficou em 1,19% do PIB.
A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou junho em 81,9%, contra 81,0% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 68,5%, de 67,9%.
As expectativas em pesquisa da Reuters eram de 81,5% para a dívida bruta e de 68,4% para a líquida.
Desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo, em janeiro de 2023, a dívida bruta do Brasil, considerada o principal indicador da solvência do país, aumentou 10,2 pontos percentuais do PIB.
Somente em junho, a conta de juros nominais do Brasil somou R$110,7 bilhões de reais. O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$55,3 bilhões, pior do que a expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de R$49,8 bilhões.
O governo central teve déficit de R$47,2 bilhões, enquanto Estados e municípios registraram saldo primário negativo de R$6,6 bilhões e as estatais tiveram déficit de R$1,5 bilhão, mostraram os dados do Banco Central.
Como resultado, o déficit nominal alcançou R$166 bilhões no mês, acima de expectativa de R$133,2 bilhões.
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