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Dívida bruta do setor público volta a crescer e atinge 81,9% do PIB em junho

Governo federal, Estados e municípios fecharam o mês passado com um rombo total de R$ 55,3 bilhões

31 jul 2026 - 09h53
(atualizado às 10h21)
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A dívida bruta do setor público consolidado (que inclui o governo federal, os Estados e municípios) voltou a crescer em junho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 31, pelo Banco Central. O endividamento passou de R$ 10,622 trilhões para R$ 10,809 trilhões, e atingiu 81,9% do PIB - em maio, estava em 81% do PIB.

Esse é o patamar mais alto desde abril de 2021, quando estava em 82,6% do PIB. O pico da série histórica foi em dezembro de 2020, quando atingiu 87,6% do PIB, por conta das medidas fiscais do início da pandemia de covid-19. No nível mais baixo, em dezembro de 2013, a dívida bruta estava em 51,5% do PIB.

A dívida bruta é uma das referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.

Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil / Estadão

Já a dívida líquida, que leva em conta as reservas internacionais do Brasil, aumentou de 67,9% do PIB em maio para 68,5% em junho. Em reais, atingiu R$ 9,034 trilhões.

Contas no vermelho

Os dados do Banco Central mostram que o chamado setor público consolidado - que inclui governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras e grandes bancos públicos - teve déficit primário (receita menos despesas, excluindo o pagamento de juros da dívida) de R$ 55,313 bilhões em junho, após déficit de R$ 56,131 bilhões em maio. O déficit do mês passado foi mais intenso do que o previsto pela mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de R$ 49,3 bilhões.

O resultado foi o maior déficit para o mês desde junho de 2021, quando somou R$ 65,508 bilhões.

Em junho de 2026, o governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve déficit primário de R$ 47,236 bilhões, segundo a metodologia da autoridade monetária. Estados e municípios tiveram resultado negativo de R$ 6,609 bilhões. As empresas estatais tiveram déficit de R$ 1,468 bilhão.

Isoladamente, os Estados tiveram déficit de R$ 8,189 bilhões, e os municípios registraram superávit de R$ 1,581 bilhão.

Um outro conceito das contas públicas mostra que o setor público consolidado teve déficit nominal de R$ 165,966 bilhões em junho, após um déficit de R$ 163,679 bilhões em maio, informou o Banco Central. Em junho de 2025, o resultado nominal havia sido negativo em R$ 108,107 bilhões.

O déficit nominal do setor público atingiu R$ 649,849 bilhões, ou 9,73% do Produto Interno Bruto (PIB), no acumulado do ano. Em 12 meses, o déficit soma R$ 1,318 trilhão, ou 9,99% do PIB.

O resultado nominal representa a diferença entre receitas e despesas do setor público, mas levando em conta o pagamento dos juros da dívida pública.

O governo central teve déficit nominal de R$ 147,688 bilhões no mês passado. Os governos regionais tiveram saldo negativo de R$ 16,205 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram déficit nominal de R$ 2,072 bilhões.

Números apontam quadro fiscal mais negativo

Na avaliação da CEO e economista-chefe da Buysidebrazil, Andrea Damico, o saldo mais negativo do que o esperado no setor público consolidado em junho e a composição do indicador reforçam um quadro fiscal mais negativo para o País.

"Observamos o governo central com situação fiscal delicada, governos regionais surpreendendo negativamente, estatais deficitárias e a conta de juros continuando a pressionar de forma relevante", alerta. O resultado foi o maior déficit para o mês desde junho de 2021, quando somou R$ 65,508 bilhões.

Damico chama atenção, sobretudo, para a dinâmica dos governos regionais nesta leitura, com déficit de R$ 6,609 bilhões. Segundo ela, em anos eleitorais anteriores, o resultado de junho foi mais benigno, com superávits de R$ 113 milhões em 2014, de R$ 353 milhões em 2018 e de R$ 856 milhões em 2022. "Em 2026, o déficit de R$ 6,6 bilhões rompe esse padrão e sugere maior pressão de gastos e/ou perda de dinamismo das receitas subnacionais", destaca.

A economista ainda considera que a combinação de um primário fraco, juros elevados e a Dívida Bruta do Governo Geral em 81,9% do PIB mantém o fiscal como o principal fator de risco para os ativos domésticos.

Estadão
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