Disputa pelo Estreito de Ormuz mantém mercados em alerta
Segundo Trump, EUA controlarão a rota a partir desta terça-feira (14)
A piora do cenário geopolítico impulsiona o petróleo. O Brent para setembro avança 3,24%, a US$ 86 por barril, maior nível em um mês, enquanto o WTI para agosto sobe 2,02%, a US$ 79,72, refletindo o aumento do prêmio de risco sobre a oferta global de energia.
Os mercados globais iniciam esta terça-feira (14) sob forte aversão ao risco, com a guerra entre Estados Unidos e Irã entrando em um novo capítulo. Após três noites consecutivas de ataques americanos a alvos militares iranianos, Teerã retaliou com ofensivas contra navios-tanque no Estreito de Ormuz, enquanto Donald Trump anunciou que os EUA passarão a controlar a principal rota marítima do petróleo do mundo a partir de hoje, às 17h (de Brasília).
A medida prevê a cobrança de uma taxa de 20% sobre todas as embarcações que cruzarem o estreito, com potencial de arrecadação de US$ 240 milhões por dia, embora enfrente questionamentos jurídicos da ONU.
A piora do cenário geopolítico impulsiona o petróleo. O Brent para setembro avança 3,24%, a US$ 86 por barril, maior nível em um mês, enquanto o WTI para agosto sobe 2,02%, a US$ 79,72, refletindo o aumento do prêmio de risco sobre a oferta global de energia.
No exterior, as bolsas europeias abriram em queda, pressionadas pela expectativa em torno da divulgação do CPI dos Estados Unidos e do início da temporada de balanços corporativos. No entanto, a alta do petróleo impulsiona o setor de energia, com a BP avançando 3% após indicar crescimento das vendas da commodity no segundo trimestre.
Na Ásia, os mercados recuperaram parte das perdas da véspera, liderados pelas ações de tecnologia e semicondutores em Xangai, mas a cautela permanece diante dos impactos potenciais da guerra sobre o petróleo e a inflação global.
No Brasil, apesar da disparada do Brent para acima dos US$ 80 por barril, o governo mantém sua estratégia para os combustíveis. A equipe econômica avalia que os efeitos da alta do petróleo ainda são administráveis e descarta, por ora, retomar a subvenção adicional de R$ 0,35 por litro ao diesel.
O entendimento é que o subsídio atualmente em vigor, de R$ 1,12 por litro, é suficiente para absorver parte da pressão sobre os preços. Já a retirada dos subsídios da gasolina continuará adiada enquanto persistir a volatilidade provocada pela guerra.
O governo também descartou, neste momento, compensar uma eventual redução de impostos sobre combustíveis com maior arrecadação do setor de petróleo e trabalha com a avaliação de que um novo sinal de alerta só seria acionado caso o Brent avance para a faixa dos US$ 90 por barril.
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