Dinamismo da economia deve seguir fraco sem avanço dos investimentos
Com crescimento de apenas 0,1% no terceiro trimestre, a economia brasileira mostra sinais de estagnação, enquanto projeções indicam expansão limitada nos próximos anos
Devagar, quase parando, a economia produziu no terceiro trimestre 0,1% mais que no segundo, mas ainda acumulou expansão de 2,7% em 12 meses, bem menos do que havia acumulado (3,3%) no período anual encerrado em junho. Apesar do baixo dinamismo neste ano, o desemprego baixou para 5,4% no trimestre de agosto a outubro e atingiu o menor nível da série iniciada em 2012. O total de empregados com carteira assinada chegou a 39,18 milhões, um número recorde.
Setor mais dinâmico no último quarto de século, a agropecuária avançou apenas 0,4% no trimestre, enquanto a indústria cresceu 0,8% e os serviços, 0,1%. Em quatro trimestres, no entanto, a produção rural aumentou 9,6%, enquanto a industrial cresceu 1,8% e a dos serviços se expandiu 2,2%. O setor industrial continuou liderado pela atividade extrativa. A indústria de transformação — fabricante de mercadorias de consumo e de bens de produção — manteve o baixo dinamismo observado na maior parte deste século.
As perspectivas de expansão econômica nos próximos anos continuam muito limitadas, como indicam as projeções — em torno de 2% anuais — da pesquisa Focus, publicada semanalmente pelo Banco Central.
No médio e no longo prazos, o aumento sustentável da produção depende do investimento em máquinas, equipamentos, infraestrutura e capacidade humana. O investimento físico registrado no terceiro trimestre equivaleu a 17,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e foi quase igual ao do período anterior, permanecendo abaixo dos níveis observados em outros emergentes, frequentemente iguais ou pouco superiores a 20%.
Juros altos — e, portanto, crédito muito caro — explicam em parte o baixo nível de investimento no setor privado e as perspectivas de modesto crescimento econômico nos próximos anos. Insegurança e pouca previsibilidade provavelmente complementam a explicação. No setor público federal, prevalecem as limitações provenientes do escasso planejamento, dos gastos eleitoreiros e do baixo nível de poupança governamental.