A turbulência mundial abalou as empresas menores e uma onda de fusões e compras reestruturaram o sistema financeiro e diversos setores, como o farmacêutico e o de alimentos. Somente os que estavam em uma melhor situação sobreviveram, com algumas feridas, que estão cicatrizando. Mesmo entre os que escaparam, alguns precisaram da ajuda do governo. Neste sentido, a participação estatal na economia aumentou no período, seja se tornando sócio em bancos ou incentivando o consumo e a produção com desonerações.
O nível de crédito segue baixo e o comércio internacional ainda não se recuperou – o comércio de produtos e serviços deve recuar 12,2% em 2009 no mundo inteiro, segundo estimativa do FMI. Nos EUA, o crédito ao consumidor caiu nos últimos seis meses, o que sugere maior cautela das famílias em tomar empréstimos diante do desemprego crescente. A taxa de desemprego na maior economia do mundo subiu para o maior nível em 26 anos (9,7%). Na zona do euro, a taxa atingiu o maior patamar desde maio de 1999 (9,5%), enquanto o desemprego em julho no Japão está no nível mais alto desde a 2ª Guerra Mundial (5,7%).
No Brasil, o nível de emprego industrial recuou 7% com relação a julho de 2008, embora já apresente leve alta na comparação mensal, o que indicaria uma interrupção do movimento de queda, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por sua vez, os incentivos dos bancos estatais já ampliaram a oferta de crédito com relação ao ano passado – em julho o crédito no País era 20,8% que no mesmo mês de 2008.
No entanto, mesmo com todos os efeitos negativos sobre a economia real, o sistema financeiro parece que ainda não tomou providências para evitar os mesmos erros. Segundo o professor de economia da PUC-SP Fabio Gallo, a discussão sobre um controle maior sobre a atividade financeira ainda não teve resultados efetivos. “A expectativa é que tivesse mais segurança, mais algum tipo de controle sobre os bancos. Não há um controle mais intenso. O G20 diz apenas que ainda não podemos abandonar as estruturas montadas para contornar as dificuldades”, indicou.