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Confira o desdobramento da crise desde a quebra do Lehman Brothers

Consequências

Diante do pânico dos mercados mundiais provocado pelo abandono do Lehman, as autoridades mudaram de idéia com relação a ajuda estatal. No dia seguinte, o governo americano nacionalizou parcialmente a seguradora AIG para evitar sua falência, com uma série de intervenções ao capital do estabelecimento financeiro. No espaço de três dias, um dos ícones de Wall Street, o banco Merrill Lynch, foi absorvido pelo Bank of America por meio de um acordo negociado e financiado por Washington.

Em seguida, o banco Washington Mutual - maior de poupança e empréstimos nos EUA - também foi fechado pelo governo, na maior falência de um banco na história do país. Setembro também marcou o alastramento da crise pelo setor bancário europeu com a nacionalização parcial do grupo belga Fortis. Na Grã-Bretanha, o governo promoveu a nacionalização do banco de hipotecas Bradford & Bingley e do Royal Bank of Scotland (RBS).

A venda de papéis atrelados ao mercado subprime, por parte dos bancos, como opções de investimento, trouxe pânico às bolsas de valores pelo mundo após o colapso deste segmento imobiliário, ocorrido principalmente nos Estados Unidos.

O agravamento da crise levou o Dow Jones, principal índice da bolsa de Nova York, a acumular perdas de 33,8% e registrou oficialmente seu terceiro pior ano e a maior desvalorização desde 1931, além de quebrar dois recordes históricos: maior queda em pontos para um só dia (777,68 em 29 de setembro) e maior queda percentual desde o crash de 1987 (7,87% em 14 de outubro).

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu a euforia com a conquista do grau de investimento no primeiro semestre, quando atingiu pico de 73.516 pontos, em 20 de maio. Mesmo com uma leve recuperação no final do ano, o principal índice do mercado brasileiro, o Ibovespa, fechou 2008 com queda de 41,2% - seu pior ano desde 1972. A turbulência também atingiu o câmbio. A moeda americana teve alta de cerca de 50% em relação ao real no espaço de dois meses (agosto, setembro e começo de outubro).

A descrença no sistema financeiro provocou uma forte restrição na oferta de crédito que afetou a economia real. A produtividade dos países desenvolvidos caiu e as demissões cresceram. Os reflexos ainda são sentidos em 2009. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima uma queda de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB) mundial neste ano – para os EUA a previsão é de encolhimento de 2,6%, Alemanha deve recuar 6,2%, enquanto o Japão deve cair 6%.

Fonte: Terra, Reuters e AFP

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