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Crédito privado para mercados emergentes dispara, mas ritmo das transações diminui

10 set 2026 - 11h06
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Resumo
A captação para fundos de crédito privado em mercados emergentes mais que dobrou no primeiro semestre de 2026, somando US$ 8,7 bilhões, segundo a GPCA. O apetite de investidores institucionais cresce devido à busca por diversificação fora dos EUA, focando em setores como infraestrutura na Ásia e América Latina. Contudo, incertezas geopolíticas, tensões comerciais e inflação reduziram o ritmo das transações efetivas, que caíram para US$ 6,7 bilhões frente aos US$ 11,8 bilhões do período anterior.

A captação de recursos para fundos de ‌crédito privado voltados para economias em desenvolvimento mais que dobrou no primeiro semestre de 2026, segundo dados do setor, embora a incerteza econômica e geopolítica tenha desacelerado a realização de negócios.

Mumbai, Índia
10 de junho de 2015
REUTERS/Danish Siddiqui
Mumbai, Índia 10 de junho de 2015 REUTERS/Danish Siddiqui
Foto: Reuters

Dados da Global Private Capital Association (GPCA) mostraram que a captação de recursos para crédito privado em mercados emergentes atingiu US$8,7 bilhões no primeiro semestre, em comparação com US$3,6 bilhões ⁠no mesmo período do ano anterior, tendo ficado próxima de US$11 bilhões em todo o ano ‌de 2025.

Jeff Schlapinski, diretor-gerente de pesquisa da GPCA, afirmou que os fortes influxos de capital poderiam continuar devido ao "interesse sustentado dos LPs em estratégias de crédito privado voltadas para ‌mercados em crescimento, particularmente na Ásia". Os LPs são ‌os fundos de pensão, as seguradoras e outros investidores institucionais que fornecem capital.

No ⁠entanto, os dados da GPCA também mostraram que a atividade de negócios desacelerou, o que Schlapinski atribuiu a um cenário global mais incerto.

"As condições de crédito são incertas globalmente devido aos riscos contínuos de inflação, tensões comerciais e conflitos geopolíticos", disse.

REAVALIANDO RISCOS DE MERCADOS EMERGENTES

A GPCA, que representa cerca de 300 investidores privados que administram US$2 trilhões em ativos, registrou ‌215 transações no valor de US$6,7 bilhões no primeiro semestre. Isso se compara a 373 transações ‌no valor recorde de US$22,5 ⁠bilhões em 2025 e ⁠US$11,8 bilhões no primeiro semestre do ano passado.

O crédito privado, no qual fundos de investimento emprestam diretamente ⁠a empresas e projetos, expandiu-se rapidamente à ‌medida que os bancos se afastaram ‌de algumas formas de crédito.

A classe de ativos cresceu para cerca de US$3,5 trilhões globalmente nas últimas duas décadas, de acordo com a Alternative Investment Management Association, embora menos de 10% sejam investidos em mercados emergentes.

A empresa de investimentos Ninety One ⁠informou que o valor dos negócios que facilitou atingiu US$2,1 bilhões nos 18 meses até junho, um aumento de 40% em relação ao período anterior.

"De 18 meses a dois anos atrás, isso era um verdadeiro trabalho missionário... era uma captação de recursos muito criativa", disse à Reuters Nazmeera Moola, diretora comercial de ‌mercados privados da Ninety One.

Moola disse que a base de investidores agora varia de instituições de financiamento ao desenvolvimento a fundos de pensão e de seguros, fundos soberanos e ⁠empresas de investimento privado.

Os investidores estão reavaliando os riscos dos mercados emergentes, à medida que mudanças geopolíticas incentivam a diversificação para fora dos Estados Unidos, disse ela.

Mais de um terço das mais de 90 transações da Ninety One foram em infraestrutura e ativos reais, incluindo energia renovável, infraestrutura digital e telecomunicações, principalmente em países da Ásia e da América Latina, como Índia, Brasil e México.

A Ninety One planeja lançar, até o final do ano, um fundo de dívida de infraestrutura para mercados emergentes no valor de US$500 milhões a US$1 bilhão. A Corporação Financeira Internacional, o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura e o Swedfund anunciaram compromissos com o fundo.

Schlapinski disse que a turbulência global provavelmente pesará sobre as fontes tradicionais de financiamento pelo resto do ano, "o que deve sustentar a demanda por soluções de crédito privado flexíveis e personalizadas".

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