Taxas dos DIs sobem com influência dos Treasuries e petróleo acima de US$105
As taxas dos DIs subiram nesta quinta-feira, impulsionadas pela alta dos Treasuries e do petróleo Brent acima de US$ 105, reflexo das tensões entre EUA e Irã que reacendem temores inflacionários globais. No cenário doméstico, o setor de serviços estagnou em julho, reforçando sinais de desaceleração econômica. Esse quadro mantém o mercado apostando amplamente em um corte de 25 pontos-base na Selic pelo Banco Central ainda este mês, com provável repetição do movimento na reunião de novembro.
Após os recuos mais recentes, as taxas dos DIs voltaram a subir nesta quinta-feira, em sintonia com o avanço firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior e com a alta do petróleo Brent, para acima dos US$105 o barril.
Às 10h28, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,675%, em alta de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,63% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,295%, com elevação de 8 pontos-base ante 14,213%.
Na quarta-feira a renda fixa brasileira já havia passado por certa realização de lucros, com parte dos investidores comprando taxa após os recuos mais recentes. O movimento de alta para as taxas dos DIs continua nesta quinta-feira, corroborado pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e pelo petróleo.
Às 10h28, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 8 pontos-base, a 4,922%. Já o petróleo Brent tinha alta de 4,02%, aos US$105,28 o barril.
Por trás do movimento está novamente a guerra entre EUA e Irã, que se acirrou nos últimos dias, reavivando as preocupações com a inflação nos países. O Banco Central Europeu elevou suas taxas de juros nesta quinta-feira pela segunda vez neste ano, buscando conter a inflação.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou mais cedo que o volume de serviços no país ficou estável em julho ante o mês anterior e subiu 0,9% ante julho de 2025. Em mais um sinal de desaceleração da atividade econômica, os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de altas de 0,2% na comparação mensal e de avanço de 1,1% na base anual.
Os dados econômicos mais recentes têm reforçado a percepção entre os investidores de que o Banco Central caminha para cortar a Selic novamente em 25 pontos-base este mês, podendo repetir a dose em novembro.
Na última terça-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 94,9% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic este mês, contra 4,1% de manutenção. Para o encontro seguinte, em novembro, a precificação indicava 60% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base e 24% de chance de manutenção.
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