Controlador da Sadia recebe R$ 1,4 bi em ações por fatia
O grupo controlador da Sadia, das famílias Furlan e Fontana, recebeu o equivalente a cerca de R$ 1,45 bilhão em ações na negociação em que a Perdigão assumiu a rival, afirmaram nesta terça-feira os co-presidentes da nova empresa gerada pela associação, a Brasil Foods (BRF), Luiz Fernando Furlan e Nildemar Secches.
A estimativa dos presidentes foi feita com base no valor da ação da Perdigão nesta terça-feira, em torno de R$ 34. "Mas tem que excluir disso aí (dos R$ 1,45 bilhão) o valor da holding financeira (da Sadia)", destacou a jornalistas Luiz Fernando Furlan.
A financeira não entrou na negociação e é avaliada em R$ 67 milhões. O montante recebido pelos controladores da Sadia em ações é equivalente a menos da metade do valor de mercado da companhia, estimado em R$ 3,3 bilhões.
"Podemos explicar (a negociação) em meia página ou em um livro", observou Secches, esclarecendo a jornalistas que os acionistas da Perdigão deterão 68% das ações da nova empresa, enquanto os da Sadia ficarão com 32%.
O negócio, feito inteiramente em troca de ações, deixará a a Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), o principal acionista da Perdigão e também detentor de papéis da Sadia, com a maior fatia da BRF entre todos os acionistas, com aproximadamente 12% de participação.
As famílias controladoras da Sadia terão pouco menos de 12% na nova empresa, avaliou Furlan, durante a divulgação da associação.
O negócio prevê ainda uma oferta pública de ações de R$ 4 bilhões. O BNDES já manifestou interesse de participar da operação, segundo os co-presidentes.
"Está bem demandada, mas não há compromisso com o BNDESPar (o braço de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", disse Secches, observando que há o interesse de os grandes acionistas de subscreverem R$ 1,8 bilhão na oferta pública.
"Vimos que a captação é a melhor solução para os problemas", acrescentou Furlan, referindo-se às dificuldades financeiras decorrentes das perdas da Sadia com derivativos cambiais no ano passado.
A Brasil Foods planeja utilizar R$ 2,5 bilhões da oferta de ações, a ser realizada em meados de julho, para reduzir dívidas de curto prazo, afirmou Furlan.
Assim, a nova empresa também deverá usar R$ 1,5 bilhão da oferta de ações para expansão e outros planos de investimentos.
"O objetivo da empresa é manter um nível de endividamento seguro, não inviabilizar projetos de investimento que as duas organizações tinham", declarou Secches.
A dívida da empresa deverá cair para duas, três vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) após a oferta de ações, afirmou Furlan sem revelar a dívida atual.
Leopoldo Saboya, diretor-financeiro da Perdigão, afirmou, após o evento, que a nova empresa pretende ter um nível de "liquidez" de R$ 1,5 bilhões a R$ 1,8 bilhão.
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